Défice de Atenção e Hiperactividade - Psicomotricidade
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A Psicomotricidade nos Défices de Atenção e Hiperactividade
Psicomotricidade
Défice de Atenção e Hiperactividade
Dificuldades de Aprendizagem - Etiologia
 
 



Este Blogue tem como principal objectivo contribuir para a divulgação dos efeitos de uma intervenção psicomotora em indivíduos com dificuldades de aprendizagem, mais especificamente em indivíduos com défices de atenção e hiperactividade, bem como permitir a troca de experiências e informações entre todas as pessoas com interesse na área.

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A Psicomotricidade nos Défices de Atenção e Hiperactividade ---->
A intervenção psicomotora é indicada para pessoas que podem evoluir melhor através do agir, da experimentação e do investimento corporal, em casos nos quais é necessário reencontrar a possibilidade de comunicar e de organizar o pensamento, privilegiando a experiência concreta ligada à interiorização da vivência corporal. A intervenção psicomotora tem como objectivo compensar problemáticas situadas na convergência do psiquismo e do somático, intervindo sobre as múltiplas impressões e expressões do corpo e atribuindo significação simbólica ao corpo em acção. Promovendo a regulação e harmonização tónica centrada sobre a maneira de estar no seu corpo (atitude-postura, esquema corporal, descontracção neuro-muscular), os movimentos funcionais e expressivos centrados sobre a maneira de agir com o seu corpo (coordenações, dissociações, praxias) e possibilita a vivência tónico-emocional com o psicomotricista através do corpo e do agir.
A prática psicomotora é unificadora, no sentido em que veicula os laços entre o corpo, a motricidade e a actividade mental, o real e o imaginário, o espaço e o tempo, melhorando o potencial adaptativo do sujeito, ou seja, as possibilidades de realização nas trocas com o envolvimento. As práticas psicomotoras podem desenvolver-se em contextos de acção diferenciados, em função de critérios que têm como referência a própria história do(s) sujeito(s), a origem e características das suas dificuldades, as características do meio institucional onde é feito o atendimento e até as características da personalidade e da formação profissional do psicomotricista. A organização destes contextos é condicionada pelo tipo e grau da indicação, ou seja, pela problemática existente. Este critério é importante para decidir se o apoio é individual, em pequeno ou grande grupo, se a atitude é mais ou menos directiva, se a acentuação é mais sobre a componente motora, cognitiva ou relacional e se se valoriza o jogo funcional ou simbólico, a receptividade ou a expressão.
As crianças hiperactivas são em geral pouco sensíveis ao trabalho em psicoterapia verbal, devido à descontinuidade do seu pensamento, à agitação constante e à falta de interesse pelas trocas verbais e pelas expressões representativas como o desenho. A psicomotricidade surge como uma possibilidade de intervenção que, em alguns casos, deve ser conjugada também com um apoio centrado na dinâmica familiar, ou ainda com o recurso à psicoterapia individual e/ou suporte farmacológico. Na realidade, a criança não está isolada e o seu meio social e em particular o familiar desempenham um papel importante no processo terapêutico. Salgueiro reforça a necessidade de promover a montagem de “redes contentoras de ansiedade” envolvendo a família (modulação da relação pais-filho), a própria criança (relação calmante e organizadora) e a escola (organizar o pensamento e as possibilidades de investimento).
Em termos metodológicos, tendo como referência não as determinantes etiológicas, mas também outras eventuais características associadas às diferentes expressões da problemática, a psicomotricidade pode adoptar formas de intervenção com recurso a fundamentos quer cognitivo-comportamentais, quer psicodinâmicos. Genericamente, o projecto de intervenção na hiperactividade deverá investir o corpo como uma fonte de adaptabilidade e não como o agente efector sobre si mesmo. O projecto motor, como estrutura de representação, deve envolver a preparação para a acção e a consciencialização das modulações tónico-posturais que lhe estão associadas. A alternância de estados tensionais de repouso ou de acção e a antecipação do investimento tónico necessário ao projecto postural ou motor permitem um afinamento das possibilidades de acção e um reinvestimento nos processos de identificação e de relação com os outros. Bergés afirma a este respeito: “O projecto motor que nasce na postura, na distância que separa o tónus da motricidade, tem um papel fundamental na acção”. Esse projecto, essa verdadeira antecipação motora, faz ainda parte da postura e vai-se realizar na acção, afinando os laços entre a representação e a sua expressão práxica. Bergés salienta ainda a importância da psicomotricidade na intervenção com crianças hiperactivas, no sentido em que permite modular as relações entre a acção e a representação, a actividade e o pensamento. Na realidade, a intervenção psicomotora permite uma vivência postural e motora, que envolve uma temporalidade na adequação progressiva entre as estruturas rítmicas do mundo exterior e dos ritmos corporais.
As crianças hiperactivas apresentam, na maioria dos casos, défices associados aos diferentes níveis de tratamento de informação. Nesta perspectiva, a psicomotricidade poderá incidir nos aspectos relacionados com cada um deles, nomeadamente:
- Na codificação e descodificação dos dados provenientes do próprio corpo e do mundo exterior, em termos verbais, visuo-espaciais e tactiloquinestésicos;
- Na planificação espacial ou temporal ligada à utilização de objectos em termos de lógica da acção, particularmente, na identificação do objectivo, das condições iniciais da situação, na análise das propriedades dos objectos, na sequencialização e na análise da acção em curso e modificação da estratégia;
- Nos esquemas de evocação e reconhecimento dos programas motores e na organização métrica da acção;
- Na inibição e no controlo do movimento;
- Na inadaptação cognitiva relativa à forma de conhecimento de resultados.

A intervenção psicomotora direccionada para a criança hiperactiva e instável deverá proporcionar actividades, com determinadas orientações, como seja:
- Canalizar a actividade, deixando a criança jogar livremente de acordo com as suas motivações e as suas capacidades, levando-a, progressivamente, a respeitar determinadas orientações corporais e a adequar-se a determinados limites espácio-temporais;
- Dispender energia, ajudando-a a agir de forma construtiva, de modo a diminuir a sua necessidade de movimento e prepará-la para actividades que exigem maior nível de concentração;
- Melhorar o autocontrolo e o auto-conhecimento, proporcionando jogos de inibição a partir do momento em que a criança esteja mais calma e evoluindo sempre das situações mais dinâmicas para as que exigem maior imobilidade.
- Aumentar a concentração e melhorar a memória, proporcionando actividades motivadoras que façam apelo à manutenção da vigilância, em situações que envolvam planificação, sequencialização e a implicação operacional do indivíduo. As actividades visando a promoção da capacidade da atenção deverão ser desenvolvidas tendo em vista a organização das aferências sensoriais e a melhoria da qualidade da exploração perceptiva.

Sugere-se a este propósito diversos tipos de actividades de focalização de atenção, como seja, a procura de diferenças entre a disposição de dois grupos de objectos, com deslocamento do sujeito, a observação do deslocamento efectuado pelo psicomotricista, ou outra criança seguida da sua reprodução gráfica, jogos de labirintos, puzzles, a procura de imagens idênticas, a busca de detalhes, por exemplo num desenho, a pesquisa de detalhes sonoros, etc.
 

Psicomotricidade ---->
A Psicomotricidade pode ser definida como o campo transdisciplinar que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas entre o psiquismo e a motricidade. Baseada numa visão holística do ser humano, encara de forma integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais, simbólicas, psicolinguísticas e motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psicossocial. Neste sentido, assume-se como “uma reeducação ou terapia de mediação corporal e expressiva, na qual o reeducador ou terapeuta estuda e compensa as condutas motoras inadequadas ou inadaptadas, geralmente associadas a problemas de desenvolvimento e maturação psicomotora, de comportamento, de aprendizagem e de âmbito psico-afectivo”. Pretende encarar o indivíduo de uma forma holística, considerando toda a sua história de vida: social, política e económica. Essa história retrata-se simbolicamente no seu corpo. Para além disso, desenvolve o aspecto comunicativo e a multiplicidade de expressões que dele emergem, daí o facto de se assumir esta ciência como o corpo em movimento, acção e emoção.
Deste modo, a psicomotricidade objectiva o estudo da relação entre o pensamento e a acção, envolvendo a emoção, configurando-se como uma técnica, e cuja aplicação se dá pela educação, reeducação e terapia psicomotora. Para além disso, visa compensar uma problemática situada na convergência do psiquismo e do somático, intervindo sobre as múltiplas impressões e expressões do corpo e atribuindo significação simbólica ao corpo em acção. Durante as sessões, tem como objectivo promover a regulação e harmonização tónica centrada sobre a maneira de estar no seu corpo (atitude/postura, esquema corporal, descontracção neuro-muscular).
Em suma, a Psicomotricidade tem como finalidade primordial trabalhar para educar e reeducar o indivíduo que apresenta distúrbios manifestados através de perturbações psicomotoras, debilidades motoras, atrasos psicomotores, instabilidade e inibição psicomotora.
 

Défice de Atenção e Hiperactividade ---->
Perturbação de Hiperactividade com Défice da Atenção parece ser a expressão mais correcta, senão a mais aceite, por tradução da expressão Anglo-saxónica Attention Deficit Disorder with Hiperactivity, utilizada pela Associação Americana de Psiquiatria no seu 4º manual de Diagnóstico Estatístico de Desordens Mentais, publicado em 2002 (DSM-IV-TR), o qual constitui referência internacional nesta área clínica. Segundo este manual, a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção define-se por um padrão persistente de falta de atenção e/ou impulsividade-hiperactividade, com uma intensidade que é mais frequente e grave que o observado habitualmente nos sujeitos com um nível semelhante de desenvolvimento. Esta perturbação é classificada na categoria de Perturbações Disruptivas do Comportamento e do Défice de Atenção, estando incluída na classificação de perturbações com ocorrência habitual na primeira e segunda infância e na adolescência.
Nas crianças com distúrbio hiperactivo com défice de atenção, para efeitos de diagnóstico, não são necessários critérios adicionais para além dos descritos DSM-IV: o excesso de actividade motora, a impulsividade e o défice de atenção, com a respectiva frequência e durabilidade. Contudo, inerentes a estas características, surgem outras que, apesar de nem todas as crianças com distúrbio hiperactivo e défice de atenção as revelarem, são problemas que coexistem com eles e que em contexto de sala de aula, comprometem o desempenho, colocando de novo dúvidas entre os estudiosos quanto à natureza e às características do próprio distúrbio.
A Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção é uma perturbação biopsicosocial, ou seja, apresenta dimensões de ordem genética, biológica, social e vivencial que concorrem para a sua intensidade. Agitação, irrequietude, desorganização, imaturidade, relacionamento social pobre, inconveniência social, problemas de aprendizagem, irresponsabilidade, falta de persistência e preguiça são algumas das características atribuídas a estas crianças.

A Associação Portuguesa de Pessoas com Perturbação de Hiperactividade entende a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção como:
“Uma perturbação de desenvolvimento com carácter crónico, com base genética e neurológica. Esta perturbação interfere com a capacidade do indivíduo em regular e inibir o nível de actividade (hiperactividade), inibir comportamentos (impulsividade) e prestar atenção às tarefas. Estas alterações do comportamento são inapropriadas para o nível de desenvolvimento geral do indivíduo. As manifestações surgem em vários contextos (casa, escola, trabalho, actividades dos tempos livres) e interferem com o seu funcionamento adequado. As crianças experimentam as consequências negativas desses comportamentos em casa, nas relações com os colegas, no rendimento escolar e têm maior propensão para acidentes e comportamentos de risco. Se não houver tratamento apropriado, muitos destes problemas mantêm-se até à vida adulta podendo levar a uma maior frequência de conflitos conjugais, familiares e profissionais”.

Diagnóstico
Os critérios de diagnóstico segundo a DSM-IV são:
Critério A (1) ou (2)
• 6 Ou mais dos seguintes sintomas de falta de atenção devem persistir pelo menos durante 6 meses com uma intensidade que é desadaptativa e inconsistente em relação ao nível de desenvolvimento.

Défice de Atenção
A criança com esta perturbação, com frequência:
a) Não presta atenção suficiente aos pormenores ou comete erros nas tarefas escolares, no trabalho ou noutras actividades lúdicas;
b) Apresenta dificuldade em manter a atenção em tarefas ou actividades;
c) Parece não ouvir quando se lhe dirigem directamente;
d) Não segue as instruções e não termina os trabalhos escolares, tarefas ou deveres no local de trabalho;
e) Tem dificuldade em organizar tarefas e actividades;
f) Evita ou é relutante em envolver-se em tarefas que exijam um esforço mental continuado;
g) Perde objectos necessários à concretização de tarefas ou actividades;
h) Distrai-se facilmente com estímulos irrelevantes;
i) Esquece-se, com frequência, das actividades quotidianas.

Este último sintoma é o que permanece mais constante ao longo do tempo e tem claras repercussões negativas em situações académicas, laborais e sociais. Assim, por exemplo, logo desde o 1º ciclo de escolaridade começa-se a exigir que as crianças consigam permanecer centradas numa tarefa durante um tempo sempre superior à capacidade da criança com este tipo de perturbação.
Verifica-se serem menos capazes de manter o mesmo grau de compromisso face às tarefas, não conseguem prestar atenção suficiente aos detalhes e perdem sobretudo a concentração nas tarefas rotineiras, afastando as que não lhes suscitam interesse.
Além disso, os seus trabalhos apresentam-se sujos e desordenados. Outra característica tem a ver com a mudança constante de actividades, sendo incapazes de as terminar, perdendo ou esquecendo frequentemente o material, por exemplo.
Por outro lado, não conseguem cumprir as regras e instruções a não ser que estas lhe sejam constantemente recordadas, o que, em termos escolares e sociais leva a situações problemáticas e, até, a sentimentos de rejeição e isolamento.

• (2) 6 Ou mais dos seguintes sintomas de hiperactividade - impulsividade, que persistem, pelo menos há 6 meses com uma intensidade que é desadaptativa e inconsistente em relação ao nível de desenvolvimento

Hiperactividade
A criança com esta perturbação, com frequência:
a) Movimenta excessivamente as mãos e os pés e move-se enquanto está sentado;
b) Levanta-se da sala de aula ou noutras situações em que se espera que esteja sentado;
c) Corre ou salta excessivamente, em situações em que é inadequado fazê-lo;
d) Tem dificuldade em jogar ou dedicar-se tranquilamente a actividades de ócio;
e) Parece ‘ligado à corrente’;
f) Fala excessivamente.

É importante distinguir esta perturbação da actividade física normal das crianças. Uma distinção fundamental baseia-se numa actividade quase permanente, incontrolada e incontrolável que se caracteriza por não ter uma meta concreta e ainda por surgir nos momentos mais inoportunos.
Um dos problemas da criança com hiperactividade é que esta actividade constante é dirigida para tarefas e objectivos diferentes dos preferidos pelos seus pais e professores, provocando numerosas interacções conflituosas que terminam quase sempre num feedback negativo.
Também é importante destacar que estes excessos de actividade mostram flutuações em diferentes contextos e situações e com diferentes pessoas. Assim, alcançam maior grau de severidade em lugares públicos, quando há visitas em casa e evidentemente na sala de aula. Também se manifestam perante exigências demasiado rígidas dos pais e professores, na realização de tarefas aborrecidas ou com recompensas escassas.
As suas condutas tornam-se mais adequadas se está num ambiente calmo e se recebe uma atenção mais individualizada.

Impulsividade
A criança com esta perturbação, com frequência:
g) Precipita as respostas antes que as perguntas tenham acabado;
h) Tem dificuldade em esperar pela sua vez;
i) Interrompe ou interfere negativamente nas actividades dos outros.

Esta característica refere-se a um estilo de conduta precipitada e demasiado rápida que se operacionaliza como uma rapidez excessiva no processamento da informação, um fracasso na capacidade de resposta fundamentada e uma inibição dos mecanismos apropriados para o cumprimento das tarefas.
Os alunos com esta perturbação são impacientes, não conseguem esperar pelos reforços positivos ou adiar recompensas, não conseguem esperar ou respeitar a sua vez e interrompem constantemente os outros, atitudes que lhes originam problemas frequentes.
Entre os comportamentos que mais distinguem os alunos com esta perturbação encontra-se a actividade motora em excesso que se traduz muitas vezes numa atitude de interferência com os outros e que perturba o normal funcionamento da sala de aula.
Este movimento corporal excessivo vai diminuindo ao longo da infância sendo natural que a partir dos 12 anos se manifeste um decréscimo, adoptando, na adolescência a forma de sentimentos de inquietude e incapacidade para dedicar-se a actividades sedentárias ou tranquilas.
Também se verifica com frequência que sofrem acidentes ao actuar sem ponderação nos perigos existentes, mostrando-se incapazes de controlar as suas acções e reflectir nas possíveis consequências. O seu escasso auto-controle também pode provocar o incumprimento de normas básicas na escola o que lhes acarreta muitos castigos e suscita grande tensão familiar e escolar.
Verifica-se que alguns sintomas da falta de atenção ou de hiperactividade - impulsividade surgem antes dos 7 anos, manifestam-se em dois ou mais contextos e têm uma interferência clinicamente significativa no funcionamento social, académico ou laboral.
 

Dificuldades de Aprendizagem - Etiologia ---->
O conceito de dificuldades de aprendizagem (DA) surgiu da necessidade de se compreender a razão pela qual um conjunto de alunos, aparentemente normais, estava constantemente a experimentar insucesso escolar, especialmente em áreas académicas tal como a leitura, a escrita ou o cálculo. Este conceito subentendeu, de imediato, uma discapacidade (inabilidade) para a aprendizagem, numa ou mais áreas académicas, nada condizente com o potencial intelectual. Assim sendo, o aluno com DA é um aluno com um potencial para a aprendizagem médio, ou acima da média, sendo este aspecto um factor de grande importância a transmitir-lhe no sentido de o ajudar a situar-se e a compreender as suas áreas fortes e necessidades educativas.
Numa perspectiva geral as dificuldades de aprendizagem são desordens neurológicas que interferem com a recepção, integração ou expressão de informação, caracterizando-se por uma discrepância acentuada entre o potencial do aluno e a sua realização pessoal e escolar.

Definição de Dificuldades de Aprendizagem segundo IDEA (Individuals with Disabilities Education Act):
“Dificuldades de aprendizagem específica” significa uma perturbação num ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou utilização da linguagem falada ou escrita, que pode manifestar-se por uma aptidão imperfeita de escutar, pensar, ler, escrever, soletrar, ou fazer cálculos matemáticos. O termo inclui condições como problemas perceptivos, lesão cerebral, disfunção cerebral mínima, dislexia e afasia de desenvolvimento. O termo não engloba as crianças que têm problemas de aprendizagem resultantes principalmente de deficiências visuais, auditivas ou motoras, de deficiência mental, de perturbação emocional ou de desvantagens ambientais, culturais ou económicas.

Assim, uma criança pode ser identificada como inapta para a aprendizagem “típica” se:
1. Não alcançar resultados proporcionais aos seus níveis de idade e capacidades numa ou mais de sete áreas específicas quando lhe são proporcionadas experiências de aprendizagem adequadas a esses mesmos níveis;
2. Apresentar uma discrepância significativa entre a sua realização escolar e capacidade intelectual numa ou mais das seguintes áreas:
a) Expressão oral;
b) Compreensão auditiva;
c) Expressão escrita;
d) Capacidade básica de leitura;
e) Compreensão da leitura;
f) Cálculos matemáticos; e
g) Raciocínio matemático.

Uma segunda definição de DA, elaborada pelo National Joint Committee on Learning Disabilities (NJCLD) diz o seguinte (Correia e Martins, s/d):
“Dificuldades de aprendizagem” é um termo genérico que diz respeito a um grupo heterogéneo de desordens manifestadas por problemas significativos na aquisição e uso das capacidades de escuta, fala, leitura, escrita, raciocínio ou matemáticas. Estas desordens, presumivelmente devidas a uma disfunção do sistema nervoso central, são intrínsecas ao indivíduo e podem ocorrer durante toda a sua vida. Problemas nos comportamentos auto-reguladores, na percepção social e nas interacções sociais podem coexistir com as DA, mas não constituem por si só uma dificuldade de aprendizagem. Embora as dificuldades de aprendizagem possam ocorrer concomitantemente com outras condições de incapacidade (por exemplo, privação sensorial, deficiência mental, perturbação emocional grave) ou com influências extrínsecas (tal como diferenças culturais, ensino inadequado ou insuficiente), elas não são devidas a tais condições ou influências.

Até à data, pelo menos seis categorias de DA foram já identificadas:
1. Auditivo-linguística. Prende-se com um problema de percepção que, frequentemente, leva o aluno a ter dificuldade na execução ou compreensão das instruções que lhe são dadas. Não é, portanto, um problema de acuidade auditiva (o aluno consegue ouvir bem), mas sim de compreensão/percepção daquilo que é ouvido.
2. Visuo-espacial. Envolve características tão diversas como uma inabilidade para compreender a cor, para diferenciar estímulos essenciais de secundários (problemas de figura-fundo) e para visualizar orientações no espaço. Assim, aqueles alunos que apresentem problemas nas relações espaciais e direccionais têm frequentemente dificuldades na leitura, começando, por exemplo, por ter problemas na leitura das letras b e d e p e q (reversões).
3. Motora. Aqui o aluno que apresenta DA ligadas à área motora tem problemas de coordenação global ou fina ou, mesmo, de ambas, visíveis quer em casa quer na escola, criando, tantas vezes, problemas na escrita e no uso do teclado e do rato de um computador.
4. Organizacional. Este problema leva o aluno a experimentar dificuldades quanto à localização do princípio, meio e fim de uma tarefa. O aluno tem ainda dificuldade em resumir e organizar informação, o que o impede, com frequência, de fazer os trabalhos de casa, apresentações orais e outras tarefas escolares afins.
5. Académica. Esta categoria é uma das mais comuns no seio das DA. Os alunos tanto podem apresentar problemas na área da matemática, como serem dotados nesta mesma área e terem problemas severos na área da leitura ou da escrita, ou em ambas.
6. Socioemocional. O aluno com problemas nesta área tem dificuldade em cumprir regras sociais (esperar pela sua vez) e em interpretar expressões faciais o que faz com que ele seja muitas vezes incapaz de desempenhar tarefas consentâneas com a sua idade cronológica e mental.

Só mais recentemente se reconhece cientificamente que as DA também podem ser não verbais (DANV), e envolver outros processos cognitivos camuflados, mais relacionados com o hemisfério direito, implicando outro tipo de perturbações, nomeadamente de organização visuo-espacial (copiam razoavelmente, mas apresentam inúmeras e invulgares dificuldades de transporte visual), de percepção ao táctil, de dispráxia, de disgrafia (dificuldades de aprendizagem da escrita, que tende a surgir tarde e ilegível, também associada a problemas de “rechamada de letras”), de resolução de problemas não-verbais e percepção social.
 
 
 
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