NA CABANA DE GONZAGÃO 02
 
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VIVA GONZAGÃO 2010 - PROGRAMAÇÃO OFICIAL
LUIZ GONZAGA JAMAIS OFUSCOU HUMBERTO TEIXEIRA!!!
VIVA EXÚ, TERRA DE LUIZ GONZAGA - O REI DO BAIÃO!!!
Luiz Gonzaga, o Rei do Baião (1912 – 1989)



ESTE ESPAÇO É PARA PRESERVAR A MEMÓRIA DE NOSSO REI DO BAIÃO, LUIZ GONZAGA, O FILHO DE "PAI JANUÁRIO" E DE "MÃE SANTANA".

NA CABANA DE GONZAGÃO ESTÃO À SUA ESPERA GONZAGÃO E DONA HELENA COM SEUS FILHOS GONZAGUINHA E ROSINHA GONZAGA!!! VENHA VOCÊ TAMBÉM E FIQUE À VONTADE.

CONFIRA MAIS NA CABANA DE GONZAGÃO 01: http://fabiomota1977.wordpress.com/

Veja os últimos 5 tópicos:

VIVA GONZAGÃO 2010 - PROGRAMAÇÃO OFICIAL ---->


PROGRAMAÇÃO OFICIAL - VIVA GONZAGÃO – 2010

PALCO VIVA GONZAGÃO

Atração
Dia 10 – Sexta- Feira
Desafio dos Poetas Cantadores
Ed Carlos
Joquinha Gonzaga
Anastácia
Dominguinhos

Dia 11 – Sábado
Maria Lafaete
Joãozinho do Exu
Roberto Cruz
Elba Ramalho
Flávio Leandro

Dia 12 – Domingo
Ivan Ferraz
Carlinhos Monteverde
Família Gonzaga
Beto Hortiz
Irah Caldeira

PALCO JUAZEIRO

Sexta Dia 10
20h Flávio Baião
Mauro Sanfoneiro

Atração
Sábado Dia 11
Bel Lima
Dijesus Sanfoneiro

Atração
Abertura com alunos do curso de sanfona da ONG. Aza Branca
Domingo Dia 12
Forrozeiros do Gonzagão
Bia Marinho
Domingos Sávio
Ébano Nunes
Seguidores do Rei
Leninho
Flávio Baião
Epitácio Pessoa
Sotaque Nordestino
Toinho do Baião
Pessoa Nascimento
Chá Cutuba
Jaiminho do Acordeon
Zezinho do Exu


Pe Fábio Mota
 

LUIZ GONZAGA JAMAIS OFUSCOU HUMBERTO TEIXEIRA!!! ---->


O Sanfoneiro Luiz Gonzaga começou seu compromisso musical para com o povo brasileiro, iniciado desde sua infância com o pai, Seu Januário, de ano de 1941 a 1989 por ocasião de sua partida para a eternidade. Durante os 50 anos de sua vida musical teve 53 parceiros musicais, aproximadamente, dos quais o Sr. Dr. Humberto Teixeira fez parte destes, sendo o 7º parceiro do ‘Sanfoneiro do Povo de Deus’, parceria que duraria de 1946 a 1952. Assim como os demais, este, teve uma boa participação na parceria com ‘Lua’. O ‘Eterno Cantador’ cantou ainda músicas de aproximadamente 198 compositores, contudo, com a grande preocupação se essas músicas, tinham realmente compromisso com o Nordeste. Tudo isso além de suas composições pessoais

Foi o ‘Véio Macho’ o primeiro a ter compromisso pelo Nordeste, conforme afirmara Veríssimo de Melo: "De raízes autenticamente nordestinas – justifica – sua música foi um grito de protesto e ao mesmo tempo de amor pela nossa região. Ninguém, antes deles, falou com maior propriedade insistentemente pela valorização do homem nordestino. Falou com o coração e com a música – as duas faces de sua sensibilidade de predestinado". Sua música não era falácia, mas um canto que brotava da realidade de cada homem brasileiro, em especial, do homem nordestino.

O Soldado de Getúlio Vargas, de 1930 a 1939, queria ganhar a vida por meio da música, mas com uma música autenticamente brasileira, não precisando importar. Após passar pela zona violenta do Rio, o Mangue, e chegar a Rádio Nacional, ele queria cantar o Nordeste, conforme, afirmara à Dominique Dreyfus: "Eu queria cantar o Nordeste. Eu tinha a música, tinha o tema. O que eu não sabia era continuar. Eu precisava de um poeta que saberia escrever aquilo que eu tinha na cabeça, de um homem culto pra me ensinar as coisas que eu não sabia". O filho de Januário e Santana continuava a procurar um parceiro para que o completasse, vindo a ocorrer o encontro com Humberto Teixeira. O Doutor do Baião metrificava aquilo que Gonzaga tirava de forma ampla de seu matulão, que tinha trazido do Sertão, lá Nordeste para o Sul. O Moleque "amarelo, bochudo, cabeça de papagaio, zambeta, fei pá peste" finalmente estava se encontrando com o parceiro que sempre sonhara. Contudo, o Sr. Dr. Humberto Teixeira a princípio não pensava que estava fazendo uma parceria com o Maior Sanfoneiro Nordestino, Sua Majestade, o Rei do Baião.

Ambos, antes do encontro, já tinham sua história musical: Humberto Teixeira entendia de flauta e bandolim, já tinha músicas gravadas tais como – valsas, cantigas, sambas, modinhas, toadas – nada tinha de especificamente nordestino; Luiz Gonzaga já tinha gravado e tocado mazurca, valsa, xamego, choro, polca, chorinho, picadinho, quadrilha, valsa/marcha, marcha, calando, embolada e xote. Vale ressaltar que xote ele tocava com Pai Januário lá no Araripe, mas ainda não tinha gravado. Desse encontro que duraria 5 anos de trabalho musical, a dupla Gonzaga/Teixeira produziu, compôs e gravou xote, toada, polca, baião, siridó, batucada, xaxado.

Numa tarde de agosto de 1945, Gonzaga se encontra com Humberto Teixeira e manifesta a vontade de cantar o Nordeste, sanfonando temas tradicionais do Araripe, Exu. Então surge, flui, da dupla a música No Meu Pé de Serra, um xote autobiográfico, com melodia inspirada numa música do repertório de Seu Januário.

Luiz Gonzaga anos mais tarde, no livro ‘A Saga de Luiz Gonzaga de Dominique Dreyfus, relembra o encontro afirmando, falando da origem dessa música: "Lá no meu pé de serra/Deixei ficar meu coração/Ai que saudades eu tenho/Quero voltar pro meu sertão…" Essa letra dizia a saudade que eu sentia do Nordeste". Será que ainda se pode negar que essa música não seja sentimento e enredo de Luiz Gonzaga, e que não tenha como fonte, o Araripe, o Nordeste? A parceria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira tiveram outros clássicos, nos quais, quero destacar a música Asa Branca.

Denise Dummont, filha do Dr. Humberto Teixeira o parceiro de Luiz Gonzaga na música Asa Branca, chegou a afirmar no dia 21 de maio de 2004, no Caderno Vida & Arte do Jornal O POVO, do Estado do Ceará, chegou a afirmar: "Todo mundo canta ‘Asa Branca’ e ninguém sabe quem foi Humberto Teixeira, quando na verdade ele foi grande compositor. Ele fez várias músicas sozinho. (…). A obra musical do papai ficou ofuscada pelo grande pernambucano Luiz Gonzaga. está na hora de trazer o papai à tona". Na verdade vivemos numa sociedade onde os valores culturais são na sua maioria esquecidos, mas, é preciso despertar e conservá-los em nossa sociedade hodierna.

É preciso que fique claro que a música faz parte desses valores culturais em crise. Faço destaque a música de Luiz Gonzaga com seus parceiros e compositores que tinha um compromisso especial para com o Nordeste. Teria sido bem melhor se dona Denise Dummont ao falar da importância da música Asa Branca tivesse mencionado a parceria de Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira, conforme trazem os LPs. Pois essa música foi parceria dos dois, segundo depoimentos de Luiz Gonzaga: "Com Humberto Teixeira fiz Asa Branca, o Baião. Assum Preto, tantas músicas de minha sensibilidade e que ficarão comigo eternamente. Quando apresentei a música a Humberto falei para ele: Agora estou com vontade de fazer Asa Branca. Mas não boto muita fé, porque é muito lenta, cantiga de eito, de apanha de algodão. Humberto pediu para eu cantar a música, eu cantei e ele me convenceu a fazê-la".

Luiz Gonzaga era conhecedor dessa riqueza musical porque ouvia o pai,Seu Januário tocar no seu fole de 8 baixos: "Asa Branca foi-se embora/ Bateu asa do Sertão/ Larará não chore não…" e o povo dava continuidade, completava o tema dado por Seu Januário. O Rei do Baião ainda relembra os momentos em que compunha com Humberto Teixeira, afirmando: "Quando eu quis me lembrar das coisas que tocava quando era menino, para Humberto Teixeira botar letra, eu tive certa dificuldade, não me lembrava muito". Tudo isso nos prova que Sr. Dr. Humberto Teixeira juntamente com Luiz Gonzaga deram letras aos temas que Gonzaga trazia lá do Araripe, a cantiga do povo.

Gonzagão com sua intuição sertaneja que sempre acompanhara, falando sobre a contribuição que dá ao folclore, diz: "A pessoa não deve matar o tema, deve melhorá-lo. Asa Branca era folclore. Eu toquei isso quando era menino com meu Pai. Mas aí chega Humberto Teixeira e coloca: ‘Quando olhei a terra ardendo/ Qual fogueira de São João… e se conclui um trabalho sobre Asa Branca". Humberto Teixeira, o Doutor do Baião, teve uma participação especial e importante em melhorar com Luiz Gonzaga o trabalho sobre Asa Branca, porém, ele não autoridade exclusiva sobre o tema. Esse clássico Gonzaga já conhecia desde a sua infância por meio da tradição oral. Também é necessário reconhecer que Humberto Teixeira fez outras músicas sozinho e com outros parceiros.

Denise chegou afirmar ainda que Luiz Gonzaga tinha ofuscado a obra musical de seu pai, e que estava na hora de trazê-lo à tona. Realmente concordo que o Se. Dr. Humberto Teixeira está esquecido, bem como, dá ênfase nos dias de hoje a importância dele na história musical, mas, não se deveria ofender, molestar a pessoa do Cantor e Sanfoneiro Luiz Gonzaga, in memoriam.

O Rei do Baião jamais ofuscou Humberto Teixeira, pelo contrário, em setembro de 1968 lançou um LP homenageando o Parceiro, intitulado: Meus Sucessos com Humberto Teixeira; e em 1970 lançou: Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (Coleção História da MPB/ Abril Cultural). Como ainda se diz que Luiz Gonzaga ofuscou musicalmente Humberto Teixeira? Lamento muito, acho que a senhora Denise Dummont não foi tão feliz nessa colocação.

Por volta de 1952 num determinado evento no Rio de Janeiro, Ademar de Barros foi cumprimentá-lo e disse, segundo depoimento do próprio Humberto Teixeira, "que eu era um bom orador e que eu deveria me candidatar. E que ia me dar uma legenda… eu acabei com uma suplência e depois me diplomando como deputado federal. Luiz Gonzaga estava na época em Rio Grande do Norte quando soube que eu estava me candidatando, e saiu de lá e veio me prestar uma ajuda maravilhosa, inclusive de transporte, gasolina. Eu não tinha dinheiro nenhum e posso dizer que foi Luiz Gonzaga que me colocou na deputação".

O motivo, pela qual, parceria de Gonzaga/Teixeira chegou ao fim e num clima de grande amizade, segundo depoimentos de Dr. Humberto Teixeira: "Ora, existia uma lei que proibia um autor de uma sociedade fazer parceria com um compositor de Outra. Por isso, parou a parceria. Mas nada disso afetou a nossa amizade". Essa sociedade eram as associações de direitos autorais. Será que depois de tudo isso, Luiz Gonzaga teria ofuscado Dr. Humberto Teixeira.

O folclorista Câmara Cascudo ao fazer referência à obra e a pessoa de Luiz Gonzaga, classifica-o de paisagem pernambucana, paisagem composta de água, matos, caminhos, silêncios, gente viva e morta. "O artista Gonzaga nunca se separou do homem sertanejo que jamais esqueceu suas raízes e cantou sua saudade e todo o amor que tinha pelo Sertão e seu povo. Tanto que sua obra é um verdadeiro acervo cultural do Nordeste, onde se encontra o perfil completo da Região com todos os seus personagens e os seus detalhes".

Não dá para ficar calado. É necessário fazer justiça à obra e à pessoa que defendeu o Nordeste até a morte. Faço minhas as palavras de Nelson Barbalha: "Gonzagão, de saudosa memória, sustentou a peteca durante mais de meio século, sem jamais deixá-la cair no chão. Foi, é, e será inatingível. Muita gente o imita, ninguém o iguala. Era mesmo insubstituível". Ele era realmente ‘O Homem da Terra’, "O Asa Branca da Paz".



Pe Fábio Mota – fabiomota1977@hotmail.com
(Fã, colecionador e pesquisador da obra de Luiz Gonzaga)
 

VIVA EXÚ, TERRA DE LUIZ GONZAGA - O REI DO BAIÃO!!! ---->


A cidade de Exu está situada às margens do Rio Brígida no sopé da serra do Araripe, fazendo divisa com as cidades de Crato, Santana do Cariri e Jardim, no estado do Ceará. Esta cidade pernambucana fica à 700Km de Recife. De acordo com o último censo realizado pelo IBGE, ante de 1999, sua população total era de 31091 habitantes. Lá estão depositados todos os sonhos da Família Januário, através da pessoa do Rei do Baião.
O moleque ‘fiota’, muito cedo mostrou aos colegas da Fazenda Caiçara à 12Km de Exu, o som tirado de um fole de oito baixos, igualzinho àquele que Mestre Januário sanfonava nas noites de samba, ali pertinho do Araripe. Mais tarde, o filho de Seu Januário e de Dona Santana, lá das bandas de Novo Exu fazia sucesso na Rádio Nacional, no Rio de Janeiro.
Luiz Gonzaga não se cansava de enaltecer o nome de sua querida Exu. Lutou pedindo a Deus e a seu povo, a paz para o seu berço, que antes era só alegria e que a partir do dia 10 de abril de 1949, começava uma guerra sangrenta entre as famílias Sampaio, Alencar e Saraiva. Este episódio ficou conhecido em todo o Brasil e no mundo. A primeira semente, súplica de paz que Luiz Gonzaga lançou a seu povo, foi com a música CANTARINO, lançada em 1973.
Nesta música Luiz Gonzaga usa os pássaros, Cantarino e Asa Branca, para expressar seu sentimento:

“Volto agora a minha terra/ Volto agora ao meu torrão
Trago paz pra minha gente/ Trago amor no coração
Quero ouvir a Asa Branca/ Contemplar o amanhecer
Quero amar este recanto/ Terra que me fez nascer.

Canta, canta Cantarino/ Quero ouvir o teu cantar.
Canta, canta Cantarino/ Canta para me ajudar
Teu canto é a promessa/ De um ano chovedor
Teu canto é a esperança/ De um povo sofredor

Voltarei a ser vaqueiro/ Ou modesto lavrador
Cantarei com repentistas/ Esperança, paz e amor
Vou lutar por minha gente/ Abraçar o meu Sertão
Cada sertanejo amigo/ Cada amigo um irmão
Vou lutar por minha gente/ Abraçar o meu Sertão
Cada sertanejo amigo/ Cada amigo um irmão

Canta, canta Cantarino/ O vento soprano lá na serra
Canta, canta Cantarino/ é sinal de lavoura na minha terra.”

Luiz Gonzaga sempre teve uma grande vontade de vê seu povo, sua Exu querida em paz. Queria vê reinar a paz no seu pé de serra. Em 1979 compôs com o filho Gonzaguinha a música RIO BRÍGIDA, no qual, eles narram a tristeza do Rio Brígida ao passar por Novo Exu, ele sai chorando por vê irmão matando irmão. Este era mais um apelo de pai e filho em prol da paz. Luiz Gonzaga foi então procurar o governador de Pernambuco para pedir ajuda, não sendo suficiente, foi ao Presidente da República em exercício, Dr. Aureliano Chaves e disse: “Dr. Aureliano, faça um esforço para levar a paz à minha terra!” Após este encontro com Dr. Aureliano, Luiz Gonzaga parte então para Exu e espera a realização da paz e que a vontade de Deus se faça presente nos corações dos homens.
Foi decretado pelo o governo de Pernambuco a intervenção no município de Exu, esta notícia foi publicada no Diário Oficial no dia 10 de novembro de 1981. Com este impulso de Luiz Gonzaga junto ao governo federal, Exu escrevia um novo capítulo de sua história, começava-se a firmar o sentimento de mansidão e de paz. A intervenção em Exu teve a duração de um ano e dois meses. Luiz Gonzaga ainda com medo de a paz não está entranhada no coração de seu povo exuense, canta com o filho a música PRECE POR EXU NOVO, de autoria do próprio Gonzaguinha, e gravada entre janeiro e fevereiro de 1982.
Prece Por Exu Novo é realmente uma súplica a Deus, a Virgem Maria e a memória de “Pai Januário”:

“Seu moço é tão triste a história/
Que já nem sei do começo/
Não gosto de sua lembrança/
E quando lembro estremeço/
Eu era ainda criança/
E tudo já estava no avesso/
Amor demais deu em ódio/
Tomou as contas de um terço.
Pai Nosso nos salve Maria não deixe esses filhos sem berço.
Pai Nosso nos salve Maria não deixe esses filhos sem berço.
Ai, Ai, Ai, Ai , Ê! Ai, Ai, Ai, Ai , Ê!

São tantos ódios a solta/
São tantas vezes a cruz/
São tantos corpos tombados/
São tantas vidas sem luz/
São tantas vezes a raiva/
Tecendo seu negro capuz/
É tanto sangue e maldade/
Que só o canto traduz.
Pai Nosso nos Salve Maria, ajude a gente ó Jesus.
Pai Nosso nos Salve Maria, ajude a gente ó Jesus.
Ai, Ai, Ai, Ai , Ê! Ai, Ai, Ai, Ai , Ê!


E vamos embora daqui/
Meu Deus não dá pra ficar/
Meu Cristo eu quero sumir/
Eu vou fugir pra aculá/
Exu ficando vazio/
E o povo buscando lugar/
A donde havia alegria/
Sobrevive o mal estar.
Pai Nosso nos salve Maria, da lei do morrer ou morrer ou matar.
Pai Nosso nos salve Maria, da lei do morrer ou morrer ou matar.
Ai, Ai, Ai, Ai , Ê! Ai, Ai, Ai, Ai , Ê!


Que os poderosos se matem/
Problema é do poder/
Mais sempre sobra pros pobres/
E isso eu não posso entender/
Acaba restando uns quatro/
Pra tentar se resolver/
Quatro tiros quatro mortes/
E ninguém mata a nascer.
Pai Nosso nos salve Maria a morte não pode vencer.
Pai Nosso nos salve Maria a morte não pode vencer.
Ai, Ai, Ai, Ai , Ê! Ai, Ai, Ai, Ai , Ê!


Pois é meu Pai Januário/
Parece que a paz não vingou/
Nas terras do teu pé de serra/
Acauã só agoirou/
Canta mais triste o Assum Preto/
Mais triste do que cantou/
No céu já não vejo Asa Branca/
Foi s’imbora e não voltou.
Pai Nosso nos salve Maria, Padim Cirso por favor.
Pai Nosso nos salve Maria, Padim Cirso por favor.
Ai, Ai, Ai, Ai , Ê! Ai, Ai, Ai, Ai , Ê!


E entra ano e sai ano/
E tudo sem solução/
O filho que a juventude/
Com sua revolução/
Nos traga o amor e acabe/
O horror desta tradição/
E assim permita meu povo/
Que volte pro meu Sertão.
Nos mostre Pai Nosso e Maria, irmão ajudando irmão.
Nos mostre Pai Nosso e Maria, irmão ajudando irmão.
Ai, Ai, Ai, Ai , Ê! Ai, Ai, Ai, Ai , Ê!
Ai, Ai, Ai, Ai , Ê! Ai, Ai, Ai, Ai , Ê!

Essa união de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha é muito forte, para melhor expressar seus sentimentos de amor e fidelidade à sua terra. O sonho, a alegria de Gonzagão foram realizados e agora só reina a paz naquela terra. Exu hoje é conhecida como a terra do Asa Branca da Paz. É uma cidade acolhedora, do jeito do coração de Luiz Gonzaga – o Rei do Baião.
Exu, nos orgulhamos por teu filho e nosso irmão que partiu para todo o Brasil, honrando teu nome e defendendo a todos nós nordestinos. Luiz Gonzaga sempre honrou teu nome, e em diversas cidades do Brasil dizia: ‘Viva Exu!’ Seu amor ao torrão natal era tamanha, prova disto, é os seus últimos anos de existência morando nesta bendita cidade situada às margens do Rio Brígida. Os restos mortais de Seu Januário, Dona Santana, Severino Januário, Dona Helena e de Luiz Gonzaga repousam no Mausoléu do Gonzagão, no Parque Asa Branca, em Exu. Viva Exu!!!
 

Luiz Gonzaga, o Rei do Baião (1912 – 1989) ---->


Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu no dia 13 de dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, povoado do Araripe à 12km de Exu, filho de Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus (Mãe Santana). Foi batizado na matriz de Exu no dia 05 de janeiro de 1913, cuja celebração batismal, foi realizada pelo Pe. José Fernandes de Medeiros. Desde sua infância o pequeno Gonzaga namorava o fole de oito baixos, instrumento este, executado por “Pai Januário” no qual começou seus primeiros acordes.
“Luiz de Januário” como era conhecido na infância, aos 8 anos de idade substitui um sanfoneiro que falhou no trato em festa tradicional no terreiro de Miguelzinho na Fazenda Caiçara, no Araripe, Exu, a pedido de amigos do pai. Naquela noite o pequeno Lula deleitava-se tocando e cantando a noite inteira, e pensava na possibilidade de Dona Santana deixar ele tocar mais vezes. Luiz Gonzaga tocava feliz porque era a primeira noite que tocava com a permissão de “Mãe Santana”. Naquela noite ele recebeu pela primeira vez o cachê de 20$000 rés. Luiz Gonzaga recorda as palavras de Dona Santana que pareciam ter uma esperança de tocar com sua permissão: “Luiz! Isso é gente pra tocar em dança? (...) E se o sono der nele pru lá?” Luiz Gonzaga ia crescendo, com sua simpatia e esperteza conseguiu agradar Sinhô Aires, passando a ser o garoto de confiança do Cel. Sua primeira sanfona era de marca “veado” comprada na loja de Seu Adolfo em Ouricori, Pernambuco, com a fiança do Cel. Manuel Aires de Alencar, o Sinhô Aires, custando 120$000 rés.

(Em 1915 nasce no Iguatu, Ceará, Humberto Cavalcanti Teixeira que mais tarde se tornaria parceiro de Luiz Gonzaga.

Em fevereiro de 1921 nasce em Carnaúba, distrito de Pajeú das Flores, José de Sousa Dantas Filho que posteriormente se torna parceiro de Luiz Gonzaga.

Em 1926 nasce em Gravatá, Pernambuco, Helena das Neves Cavalcanti, futura esposa de Luiz Gonzaga.)

O futuro de Gonzaga estava realmente na sanfona, profissão posteriormente executada em todo Brasil, graças as observações aos dedos ágeis de “Pai Januário”. Antes de Gonzaga completar 16 anos já era conhecido no Araripe e em toda redondeza. Aos 17 anos o filho de Januário apaixona-se por Nazarena, filha de um Alencar. O padrasto da jovem, o senhor Raimundo Deolindo sabendo da inclinação do jovem sanfoneiro pela menina-moça, resolve impedir o namoro. Luiz Gonzaga muito magoado com a situação resolve então encará-lo num sábado na feira do Exu, e disse ‘as do fim!’. Foi por causa de “Nazinha”, como a chamava, que Gonzaga levou uma surra de Dona Santana, por ocasião de seu atrevimento com o senhor Raimundo Deolindo, fugindo de casa em 1930.

Lula resolve então arranjar uma maneira de fugir de casa, foi quando com a ajuda de Zé de Elvira, com quem armou sua fuga, caminhando a pé cerca de 65Km de Exu ao Crato. Chegando no Crato Luiz Gonzaga vende ao lavrador, o senhor Raimundo Lula, sua sanfona por 80:000 rés. Essa decisão na vida de Luiz Gonzaga foi em julho de 1930, quando chega em Fortaleza e alista-se no 23º Batalhão de Caçadores do Exército, servindo no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pará, Ceará, Piauí, Belo Horizonte, Campo Grande e no Rio de Janeiro. O então soldado de n.º 122, ganha fama no Exército e um apelido: “Bico de Aço”, por ser um excelente corneteiro. Deu baixa no Exército em Minas Gerais, no dia 27 de março de 1939 e viajou para o Rio de Janeiro, para esperar o navio que o levaria a Recife, em seguida a Exu. Resolveu então a convite de um amigo, foi ganhar a vida tocando no Mangue, com uma sanfona de 80 baixos, uma Horner branquinha, sua primeira sanfona branca comprada em São Paulo. Vale ressaltar que a partir de então, Luiz Gonzaga só usa sanfona branca até o final de sua vida.

Em 1940 Gonzaga conhece o guitarrista português, Xavier Pinheiros, e forma dupla tocando no Mangue e nas casas noturnas(cabarés), do Rio de Janeiro. Ele começou tocando músicas de Manezinho Araújo, Augusto Calheiros e Antenógenes Silva, começou a apresentar-se nas rádios em programas de Calouros. Em 1941 conhece Januário França, no qual transmite a Gonzaga um convite de Genésio Arruda, para acompanhá-lo numa gravação na RCA Victor. Logo em seguida é convidado para gravar um disco solo; grava dois, e nos cinco anos seguintes, Luiz Gonzaga grava cerca de 30 discos. A partir de 1941, Luiz Gonzaga já tinha o título de MAIOR SANFONEIRO NORDESTINO.

Luiz Gonzaga sofreu muito no Rio de Janeiro, para se firmar artisticamente. Com muita luta e vencendo as ironias de Ari Barroso, em 1942 Luiz Gonzaga começa a fazer sucesso nas emissoras de rádio. Em 1944 ele foi despedido da Rádio Tamoio e, logo em seguida foi contratado por Cr$ 1.600.00 pela Rádio Nacional. Recebe neste ano o apelido de “Lua”, por Paulo Gracindo. Em 1945 Luiz Gonzaga conhece o futuro grande parceiro, o advogado Humberto Cavalcanti Teixeira, nascido em Iguatu, Ceará. No dia 11 de abril de 1945, Luiz Gonzaga gravou seu primeiro disco em voz.

No dia 22 de setembro de 1945 nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, fruto do amor de Luiz Gonzaga com Odaléia Guedes dos Santos, cantora e bailarina profissional do coro de Ataulfo Alves. Gonzaga conviveu com Odaléia, cerca de 5 anos. Odaléia faleceu de tuberculose em 1952, quando Gonzaguinha tinha 7 anos (vale ressaltar que Gonzaguinha nesta época já morava com os padrinhos Xavier e Dina no Morro de São Carlos).

Em 1946 com Humberto Teixeira, Luiz Gonzaga compõe e grava a primeira de uma série de 18 parceria: NO MEU PÉ DE SERRA. O sucesso de Gonzaga com esta música começa a ser enorme e ao mesmo tempo seu nome começa a correr pelo mundo: Europa, EUA, Japão, etc. Neste mesmo ano Luiz Gonzaga resolve então rever a família, e chega em casa pela madrugada. Fica frente a frente com Seu Januário e é interrogado: “Quem é o Sinhô? Luiz Gonzaga seu filho! Isso é hora de você chegar em casa corno sem vergonha!?” Deste encontro, Luiz Gonzaga com Humberto Teixeira, compõem a música RESPEITA JANUÁRIO, em homenagem àquele homem que foi o responsável pela inclinação do “negrinho fiota” para a música. Em 1947 no mês de março, Gonzaga gravou a música ASA BRANCA, que foi inicialmente refutada pelo diretor. A música ASA BRANCA começou a receber diferentes interpretações e gravações em vários países, como Israel e Itália. Em julho de 1947, na Rádio Nacional, Luiz Gonzaga conheceu Helena das Neves Cavalcanti, sua futura esposa.

No dia 16 de junho de 1948 Luiz Gonzaga casa-se com a contadora pernambucana Helena das Neves Cavalcanti, natural de Gravatá – PE, (segundo a cronologia de Assis Ângelo, Luiz Gonzaga já era estéril, mas sobre sua esterilidade fica muito oculto por ocasião de Gonzaga não dá ênfase a esta questão). Luiz Gonzaga resolve então fazer um passeio para apresentar a esposa a “Pai Januário”, que não pôde ir ao Rio de Janeiro para o casamento do filho. Neste dia 05 de abril de 1949, Luiz Gonzaga soube a caminho, que no dia anterior tinha começado em Exu um conflito político entre as famílias Alencar, Sampaio e Saraiva.

Em 1949 Gonzaga conhece em Recife o médico José Dantas de Sousa Filho. Com o novo parceiro, Gonzaga grava no dia 27 de outubro, o baião VEM MORENA e o FORRÓ DE MANÉ VITO. E o Brasil se deliciava com a boa música do “negrinho fiota”, que saiu lá das bandas do Exu para conquistar o coração dos brasileiros. No dia 01 de novembro de 1949, Seu Januário, Dona Santana, Geni, Muniz, Chiquinha, Socorro e Aloísio seguiram para o Rio de Janeiro, no caminhão comprado por Luiz Gonzaga.

Em 1950 o Lua recebe dos paulistas o título de “REI DO BAIÃO” que o consagra até nossos dias. Neste mesmo ano “Lua” grava também a toada ASSUM PRETO e os baiões QUI NEM JILÓ e PARAÍBA, Gonzaga neste período está no auge de sua carreira. A música PARAÍBA foi gravada por uma cantora japonesa Keiko Ikuta, e também pela Emilinha Borba. Em 1951 Luiz Gonzaga coroou a cantora Carmélia Alves como a “RAINHA DO BAIÃO” na Rádio Nacional, no programa “NO MUNDO DO BAIÃO” de Humberto Teixeira e Zé Dantas. No ano de 1952 Luiz Gonzaga tentou projetar para todo o Brasil, nos festejos juninos o talento musical da família através das rádios Tupi e Tamoio tendo como atração, OS SETE GONZAGAS: Seu Januário, Luiz Gonzaga, Severino Januário, José Januário (Zé Gonzaga), Chiquinha Gonzaga, Socorro e Aloísio. Em 1953 grava ABC DO SERTÃO, VOZES DA SECA e a A VIDA DO VIAJANTE. Neste mesmo ano Luiz Gonzaga assume plenamente sua identidade nordestina, começando a usar o gibão de couro. No dia 09 de julho de 1954 mataram em Serrita Raimundo Jacó, primo de Luiz Gonzaga. Em 1959 Dona Marieta, mãe de Dona Helena, veio a falecer no Rio de Janeiro. O Rei do Baião não parava, andava por todo o País cantando e decantando o Nordeste. No amanhecer do dia 11 de junho de 1960, Dona Santana, mãe de Luiz Gonzaga, falecia no Rio de Janeiro, com a doença de chagas. A partir de 1960 Luiz Gonzaga começa a ser esquecido dos meios de comunicação, e faz então um desabafo a Dominguinhos: “EU VOU PARAR DE CANTAR BAIÃO, POIS NINGUÉM MAIS DÁ A MÍNIMA ATENÇÃO PRA MINHA MÚSICA. VOU COMPRAR UM TRANSISCORDE PARA VOCÊ, PRA GENTE FAZER BAILES. EU TOCO CONTRABAIXO, ENQUANTO VOCÊ TOCA ESSE INSTRUMENTO ELETRÔNICO QUE SAIU AGORA”, ( isso foi só um desabafo, pois Gonzaga continuou compondo baião até o final de sua vida). Neste ínterim Luiz Gonzaga estava muito dividido, pois Seu Januário morava sozinho no Araripe, após a morte de Dona Santana. Neste ano o Rei do Baião vinha constantemente ao Araripe para está junto de “Pai Januário”. No dia 05 de novembro de 1960 Seu Januário casa-se com Dona Maria Raimunda de Jesus, cuja celebração foi realizada por Padre Mariano. Aos 72 anos o “Vovô do Baião” demonstrava sua fé e o respeito a Igreja, testemunhando seu segundo matrimônio. Em 1961 Gonzaguinha já estava com 16 anos, passou então a morar com o pai. Em 1961, Luiz Gonzaga entra para a maçonaria. Ele compõe com Lourival Passos a música ALVORADA DA PAZ, em homenagem a Jânio Quadros que renunciou, sete meses após assumir a Presidência da República. No dia 12 de março de 1962, nasce um bebê que é adotado por Seu Januário e Dona Maria Raimunda com 03 dias de nascido. Seu Januário fez questão de registrar o menino como filho legítimo, com o nome de João Batista Januário. João Batista continua morando em Exu, honrando o nome da Família Januário.

Em 1962 a parceria da dupla (Gonzaga e Zé Dantas), se desfaz por ocasião do falecimento de Zé Dantas. Em 1963, o REI DO BAIÃO gravou A MORTE DO VAQUEIRO, uma homenagem a seu primo Raimundo Jacó “morto covardemente”. Neste mesmo ano Luiz Gonzaga foi surpreendido com o roubo que fizeram de sua sanfona e conhece o poeta cearense PATATIVA DO ASSARÉ, de quem grava em 1964 a música A TRISTE PARTIDA. Em 1964 Luiz Gonzaga faz uma homenagem a Sanfona Branca roubada, com a música SANFONA DO POVO. Em 1966 Sinval Sá, lança o livro O SANFONEIRO DO RIACHO DA BRÍGIDA, VIDA E ANDANÇAS DE LUIZ GONZAGA – REI DO BAIÃO, pela edições A FORTALEZA. No ano de 1968, o compositor e versionista Carlos Imperial espalhou no Rio de Janeiro que THE BEATLES acabara de gravar a música ASA BRANCA, mas foi só brincadeira, THE BEATLES não gravaram e o sucesso de Gonzaga começou a voltar na década de 70. Em 1970 Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira entram na Coleção História da MPB, editada pela Abril Cultural. Em 1971 Luiz Gonzaga recebeu o título de “IMORTAL DA MÚSICA BRASILEIRA”, pela TV TUPÍ do Rio de Janeiro. Em 1972 Luiz Gonzaga recebe o título de Cidadão de Caruaru. Foram os papas do tropicalismo Gilberto Gil e Caetano Veloso, que proclamaram solenemente que a moderna canção popular brasileira deitava raízes também na arte antemporal de Luiz Gonzaga. No dia 24 de março de 1972 no Teatro Carioca Tereza Raquel – Rio de Janeiro, Luiz Gonzaga faz uma apresentação com o título: “LUIZ GONZAGA VOLTA PRA CURTIR”, realizando-se assim, sua volta triunfal. Naquela noite Luiz Gonzaga faz uma síntese falando de toda a sua carreira musical. Naquela oportunidade relatou sua estima pelo o estado do Ceará, dizendo: “É por isso que eu costumo dizer que uma banda minha é pernambucana e a outra banda é cearense!”

No ano de 1973, o Rei do Baião resolve deixar a RCA Victor e passa a gravar na Emi-Odeon. Ainda em 1973 Luiz Gonzaga recebe o título de Cidadão Paulista das mãos do governador de São Paulo. Em 1975, o Rei do Baião conheceu Maria Edelzuíta Rabelo, e correspondia com ela, com o pseudônimo de Marcelo Luiz. Em 1976 Luiz Gonzaga recebe em Fortaleza o título de Cidadão Cearense. Nos dias 13 e 20 de agosto de 1976, a TV GLOBO fez um exibição com o título de “ESPECIAL LUIZ GONZAGA”, tendo a participação de Seu Januário. Em 1977 Luiz Gonzaga entrou na Versão Brasileira da Enciclopédia Universal Britânica. Seu Januário faleceu num dos duplex do PARQUE ASA BRANCA em Exu no dia 11 de junho de 1978. Para sua alegria, no ano de 1980 Luiz Gonzaga canta em Fortaleza para o Papa João Paulo II, que lhe agradeceu ao pegar em sua mão dizendo: “OBRIGADO, CANTADOR!”. Luiz Gonzaga fica envaidecido. Em 1981 o velho Lua recebe os dois únicos discos de ouro de toda sua carreira ( vale ressaltar que é segundo Assis Ângelo e Gildson Oliveira, segundo Dominique Dreyfus Luiz Gonzaga ganhou mais discos de ouro). Neste mesmo ano, Gonzaga fica feliz quando consegue pacificar Exu. Foi ao encontro do Presidente da República em exercício para lhe pedir intervenção e disse: “Dr. Aureliano, faça um esforço para levar a paz à minha terra!”. Tempos depois feliz com a paz conseguida para sua terra, em entrevista Luiz Gonzaga diz ao jornalista Assis Ângelo: “NINGUÉM DAVA JEITO EM EXU. EU PEGUEI AURELIANO CHAVES NUMA BOA E 15 DIAS DEPOIS ELE MANDOU INTERVIR (NA CIDADE). A INTERVENÇÃO SE ENCAIXOU QUE NEM UMA LUVA, E NUNCA MAIS HOUVE CRIME POLÍTICO LÁ”.

Em 1982 Luiz Gonzaga vai tocar em Paris a convite de Nazaré Pereira. Permaneceu em Paris dez dias, conhecendo vários pontos importantes. Em 1984 Luiz Gonzaga recebeu o PRÉMIO SHELL. Em 1985 Luiz Gonzaga é agraciado com o troféu NIPPER DE OURO, uma homenagem internacional da RCA a um artista dela. Em 1986 Gonzagão vai pela segunda vez à França, participando no dia 06 de julho de um espetáculo que reúne cerca de 15 mil pessoas no Halle de la Villete. Luiz Gonzaga foi ladeado por Alceu Valença, Fafá de Belém, Morais Moreira e Armandinho, entre outros artistas brasileiros que integraram o “Couleurs Brésil”. Foi neste passeio que a jornalista francesa, DOMINIQUE DREYFUS, fala com Gonzagão na possibilidade de com ele, fazer um livro autobiográfico. Ainda em 1986 José de Jesus Ferreira lança o livro LUIZ GONZAGA O REI DO BAIÃO: SUA VIDA, SEUS AMIGOS, E SUAS CANÇÕES.

Em junho de 1987, a escritora e jornalista DOMINIQUE DREYFUS chega ao Brasil, passando 02 meses no PARQUE ASA BRANCA em Exu. O Rei do Baião desde pequeno trazia em seus lábios um sorriso sincero e, sempre quando podia, gostava de brincar com os outros, oportunidade que aproveitava para saber como estava o sertão. Luiz Gonzaga conheceu e tocou em todos os municípios brasileiros com mais 400 habitantes, inclusive, tocou em Sobral – CE quatro vezes. Tocou pela última vez nesta cidade, terra de Dom José Tupinambá da Frota, no dia 28 de novembro de 1987. Quando Gonzagão chegava nessas cidades do interior para fazer seus shows, era anunciado por seu motorista com o seguinte anúncio: “Atenção, atenção! Vem visitar vocês Sua Majestade o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, a maior expressão popular brasileira. Hoje aqui em praça pública!” A carroceria de seu caminhão servia de palco em seus shows, por este Brasil afora.

Em 1988 Mundicarmo Maria Rocha Ferreti lança o livro BAIÃO DE DOIS: ZÉ DANTAS E LUIZ GONZAGA, fruto de uma tese de mestrado. Em 1988 Luiz Gonzaga rompe novamente o contrato com a RCA. Em junho do corrente ano, Luiz Gonzaga entra com o pedido de desquite na justiça pernambucana, por já não se entender com Dona Helena. Ainda em 1988 Luiz Gonzaga passa a morar com Maria Edelzuíta Rabelo. A senhora Edelzuíta Rabelo nos fala através do livro Luiz Gonzaga: O Matuto que conquistou o mundo, o seguinte: “Amei Lula sem nada pedir ou esperar, mas sabendo que me bastava estar diante do homem mais extraordinário que já conheci, que me fez renascer e me ensinou grandes lições.”

A última entrevista de Luiz Gonzaga concedida a imprensa, foi para o jornalista Gildson Oliveira através de Ivan Ferraz no dia 02 de junho de 1989. Recife foi o local escolhido por Luiz Gonzaga para passar seus últimos momentos de vida. O último show realizado por Luiz Gonzaga foi no dia 06 de junho de 1989 no Teatro Guararapes do Centro de Convenções de Recife, onde recebeu homenagens de vários artistas do país. Antes de finalizar o show, o Rei do Baião proferiu estas palavras: “ Boa Noite minha gente! (...) Minha gente, não preciso dizer que estou enfermo. Venho receber essa Homenagem. Estou feliz, graças a Deus, por ter conseguido chegar aqui. E estou até melhor um pouquinho. Quem sabe, né?

“Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito seu povo, o sertão; que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor. Este sanfoneiro viveu feliz por ver o seu nome reconhecido por outros poetas, como Gonzaguinha, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Alceu Valença. Quero ser lembrado como o sanfoneiro que cantou muito o seu povo, que foi honesto, que criou filhos, que amou a vida, deixando um exemplo de trabalho, de paz e amor.

Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito seu povo, o sertão; que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor.

Gostaria que lembrassem que sou filho de Januário e dona Santana. Gostaria que lembrassem muito de mm; que esse sanfoneiro amou muito seu povo, o Sertão. Decantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes. Decantou os valentes, os covardes e também o amor. (...) Muito obrigado.”

Na quarta feira, 21 de junho de 1989, às 10:00h, o velho Lua foi levado às pressas ao Hospital Santa Joana, permanecendo 42 dias internado, onde veio a falecer. Palavras de Luiz Gonzaga na UTI do hospital: “VOCÊS NÃO ME LEVEM A MAL. SINTO MUITAS DORES E GOSTO DE ABOIAR QUANDO DEVERIA GEMER.” Luiz Gonzaga travava naquele hospital uma luta imensa contra a morte, e o Brasil todo ficava cada vez mais preocupado com o estado de saúde de seu maior defensor. Luiz Gonzaga não resistiu, o Brasil e o mundo ficou enlutado com o seu último suspiro. O Asa Branca da Paz voava para a eternidade deixando um grande exemplo de vida a ser seguido.

O Rei do Baião faleceu no dia 02 de agosto de 1989, às 5:15min da manhã no Hospital Santa Joana, em Recife. Foi na Veneza Brasileira que Luiz Gonzaga dava seu último suspiro. Seu corpo foi velado na Assembléia Legislativa de Recife nos dias 02 e 03 até às 9:45min da manhã, foi velado também em Juazeiro do Norte. CE, na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro às 17h, local onde repousa os restos mortais de Pe. Cícero Romão Batista, apesar de o corpo do Rei ter chegado no aeroporto de Juazeiro Norte às 15:20min do dia 03 de agosto. Palavras de Gonzaguinha ainda no aeroporto de Juazeiro: “TUDO BEM, VAMOS ENTRAR NA CIDADE. SE O POVO QUER, QUE PODEMOS FAZER?”

O corpo do Rei do Baião chegou a sua terra natal, sua querida Exu no dia 03 a noite. Foi velado na Igreja Matriz de Exu, durante a noite do dia 03 e todo o dia 04, saindo para o sepultamento no Cemitério São Raimundo às 15:45min. Das centenas de coroas de flores que estavam espalhadas na igreja Bom Jesus dos Aflitos em Exu, oferecidas por fãs de Luiz Gonzaga, estava esta que o repórter Gildson Oliveira transcreveu a seguinte mensagem: “Amado Lula: o silêncio acende a alma... O País canta sua voz... Os pássaros se entristecem com a partida da Asa Branca, mas fica em nossos corações a sua história. E a nossa festa é esta. Quem crê em Cristo, mesmo que esteja morto viverá.”

O corpo de Luiz Gonzaga foi levado no carro corpo de bombeiros, passando por diversas ruas da cidade rumo ao Cemitério São Raimundo, local onde aconteceram as últimas manifestações de carinho, àquele que só foi alegria. O caixão desceu a sepultura depois que Gonzaguinha, Dominguinhos, Alcimar Monteiro e mais de 20 mil pessoas cantarem a música ASA BRANCA às 16:50min. Luiz Gonzaga foi embalado no seio da terra na sexta feira, no mesmo dia da semana, que ele nasceu. Uma outra coincidência é que ele morreu no amanhecer do dia, assim como ele nasceu no amanhecer do dia 13 de dezembro de 1912.

Em 1990 foi lançado pela Editora Martin Claret o livro LUIZ GONZAGA, VOZES DO BRASIL. O filho Gonzaguinha depois de ter passado 15 dias em Exu falando aos amigos sobre a preservação do Parque Asa Branca, veio a falecer subitamente por ocasião de um acidente automobilístico na manhã do dia 29 de abril de 1991, morrendo no mesmo dia. Em 1991 o jornalista Gildson Oliveira lançou o livro LUIZ GONZAGA, O MATUTO QUE CONQUISTOU O MUNDO. Sua esposa, Dona Helena Gonzaga, conhecida por “MADAME BAIÃO”, faleceu na manhã do dia 04 de fevereiro de 1993 na Casa Grande do Parque Asa Branca.

Em 1994 o cordelista Pedro Bandeira lança uma 2ª edição ampliada do livro LUIZ GONZAGA, NA LITERATURA DE CORDEL. Em 1997 a Francesa Dominique Dreyfus lança o livro VIDA DO VIAJANTE: A SAGA DE LUIZ GONZAGA. Ainda em 1997 o professor Uéliton Mendes da Silva lança o livro LUIZ GONZAGA, DISCOGRAFIA DO REI DO BAIÃO. No ano 2000 a professora Sulamita Vieira, lança o livro SERTÃO EM MOVIMENTO – a dinâmica da produção cultural, fruto de sua tese de doutorado. Ainda no corrente ano a professora Elba Braga Ramalho lançou o livro LUIZ GONZAGA: A Síntese Poética e Musical do Sertão. Fruto de sua tese de doutorado na University of Liverpool, na Inglaterra. Em dezembro 2001 eu, este pequeno devoto do Rei do Baião, escrevi um opúsculo em homenagem ao Rei do Baião, intitulado: "Luiz Gonzaga, o Asa Branca da Paz". Graças a Deus consegui a apresentar a Chiquinha Gonzaga, irmão do Rei do Baião, e recebi dela a aprovação do trabalho.
 
 
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