JORGE FERREIRA
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O MITO IMPLODIDO
GOVERNO DESORIENTADO
O LÍDER DA OPOSIÇÃO
COISAS DESAGRADÁVEIS
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O MITO IMPLODIDO ---->
O facto de o F. C. do Porto não poder jogar nas competições europeias durante um ano que seja é uma decisão que tem um significado e um impacto social, desportivo e económico que não se pode iludir, por maior que seja a ridícula vitimização em curso por parte dos responsáveis do clube.

Desde já quero sublinhar que existem no F. C. do Porto pessoas equilibradas e ponderadas que recusam o estatuto até agora compensador de “yes man”. Rui Moreira é um exemplo de adepto lúcido que não alinha em rebanhos e que mesmo relativamente ao clube de que é adepto põe o dedo na ferida.

Mas o mais importante é o problema ético. Por mais voltas que se dêem não pode valer tudo no desporto, por mais industrializado que ele seja. A ética desportiva não pode ser sistematicamente posta em causa por quem é responsável por milhões de euros de receitas e de acções e, sobretudo, por espectáculos de paixões e de multidões.

Esta história do apito veio provocar a implosão do mito. Do mito de que Pinto da Costa é o dirigente desportivo exemplar e infalível. Do mito de que o F. C. do Porto é uma máquina desportiva, logística, administrativa e jurídica imbatível. O mito de que a estratégia de afrontamento sistemático de todas as forças terrenas e celestiais, maquiavélica e conspiratoriamente unidas para prejudicar o Porto é a melhor estratégia para a afirmação do clube. O mito, enfim, de que Pinto da Costa é o líder intocável que tudo se pode permitir sem consequência nem sanção.

A verdade é que a responsabilidade do que está a suceder ao F. C. do Porto é do seu presidente. Numa empresa normal ninguém admitira que o seu CEO misturasse tanto a vida pessoal com a vida da empresa, prejudicando tão profundamente a empresa. Numa empresa normal, como deveria ser uma SAD, mas não é, os accionistas já teriam um substituto. Nos últimos tempos, os sucessos desportivos têm escondido uma série de erros de gestão que agora se revelam em toda a sua plenitude e que culminaram na incrível (incrível face à estratégia e ao discurso oficial do clube e de Pinto da Costa) decisão de não recorrer da decisão que condenou o clube.

Embora não seja costume a UEFA recuar nas suas decisões, a verdade é que a decisão de afastar o F. C. do Porto das competições europeias ainda não é irreversível. Aguardemos, pois pela decisão final. Mas, ainda que a decisão agora tomada venha a ser alterada, o mal principal está feito e esse é, sim, irreversível. A mancha da imagem e da reputação do clube e por arrasto do futebol português. O que parece também não ter sido devidamente compreendido pelos responsáveis do F. C. do Porto. Subsiste o mesmo estilo e a mesma arrogância, que os factos apenas já tornam patética. Com a agravante de que até os jornalistas já se “atrevem” ao heroísmo de fazer verdadeiras perguntas a Pinto da Costa nas entrevistas, como sucedeu, vejam lá o desaforo, esta semana na SIC.

Para a história resta acrescentar, sublinhe-se, com ironia, para que não haja mal entendidos, que a culpa de tudo isto é apenas … do Benfica. Tudo mesmo: Carolina Salgado, Augusto Duarte, Jacinto Paixão, a fruta, os pomares, Maria José Morgado, o Ministério Público, a Liga, é tudo uma invenção do Benfica. O contrário é, obviamente, mentira.

Só mais uma coisa: como benfiquista não será com prazer desportivo que verei o meu clube disputar a próxima Liga dos Campeões. Era bom que houvesse um Presidente do Benfica que tivesse o golpe de asa de dar uma enorme bofetada de luva branca neste sistema de podridão desportiva em que temos vivido nos últimos anos e dissesse que apenas inscreveria o clube na Taça UEFA, já que esse foi o único direito desportivo que o clube conquistou na última época.

(publicado na edição de hoje do Semanário)
 

GOVERNO DESORIENTADO ---->
À medida que se aproxima o período eleitoral o Governo mostra mais desorientação. Mete os pés pelas mãos. Faz o que diz que não se deve. Não faz o que deve e não diz. Estamos a entrar naquela fase do quem grita mais alto, ganha, ou, na célebre versão de um antigo secretário de Estado cavaquista, a fase do “quem não chora não mama”.

Uma crise internacional do crédito hipotecário e o aumento do preço do petróleo fizeram mais pela oposição do que todos os partidos juntos. E o país já apanhou o fraco ao Governo. Três exemplos: o combustível, os passes sociais e os pescadores.

O Governo não baixa o imposto sobre os produtos petrolíferos porque, diz, isso seria beneficiar quem não tem carro, o que seria injusto. O que faz o Governo? Congela o preço dos passes sociais em Lisboa e no Porto, colocando os portugueses de todo o país a financiar os passes sociais de quem vive em Lisboa e no Porto. Os pescadores protestam pelo estado em que PS, PSD e CDS puseram o outrora pujante sector das pescas. O que faz o Governo? Isenta os pescadores do pagamento de taxa social única durante três meses, colocando assim os portugueses todos a pagar as contribuições para a segurança social que os pescadores deixam de pagar.

Em bom português, o Governo está literalmente “à nora”. E nós todos s pagar.

(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)
 

O LÍDER DA OPOSIÇÃO ---->
O líder da oposição decidiu intensificar a sua campanha contra o Governo. Prevê-se que nos próximos dias se intensifiquem os aumentos da oposição e as acções de contestação à especulação financeira que o Governo desenvolve à custa da oposição.

O líder da oposição já custa um euro e meio. O Governo responde com uma poupança de 100 milhões nas SCUTS, resultantes de contrapartidas que deixa de pagar devido à diminuição do tráfego. O governo responde com um aumento da receita do IVA que decidiu aplicar ao líder da oposição. A diminuição do primeiro imposto lançado sobre o líder da oposição, o imposto sobre os produtos petrolíferos, é compensada pela receita do segundo imposto lançado sobre o líder da oposição, o IVA.

O especulador fiscal Governo está a ganhar com os preços do crude.

O líder da oposição em Portugal é, como já se percebeu, o petróleo.

(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)
 

COISAS DESAGRADÁVEIS ---->
Vinte e dois anos depois de termos entrado nas Comunidades Europeias e depois de milhões de contos e de euros investidos em tudo e mais alguma coisa, é triste verificar que Portugal piorou a sua situação relativa em comparação com os outros Estados da União Europeia em indicadores sociais e de desenvolvimento. Esse dinheiro foi investido para que o país e os seus cidadãos convergissem com os países e com os povos mais desenvolvidos e o que sucedeu é em vez de convergirmos, divergimos. Desse ponto de vista encontramo-nos todos a viver a consequência de uma oportunidade perdida.

É fácil apontar o dedo aos políticos que negociaram os fundos, que decidiram os fundos, que distribuíram os fundos, que gastaram os fundos. E eles terão enormes responsabilidades no fiasco europeu. Mas é preciso perceber que o problema é mais fundo que essa responsabilidade principal. E que esse problema tem que ver com uma falta de exigência cívica colectiva de rigor e competência.

A forma como a sociedade portuguesa se indigna periodicamente com a pobreza, simplesmente a propósito de um relatório internacional ou de um artigo mais polémico de um colunista é um paradigma do que pretendo significar com a falta de exigência cívica de que falo.

É essa cultura de facilidade que perpassa em toda a sociedade de uma forma geral que também explica que se tenha chegado a um ponto em que cada português deve em média quinze mil euros a instituições financeiras. A dívida dos portugueses às instituições financeiras somou quase 150 mil milhões de euros no ano passado, o que significa que cada português, em média, deve 15 mil euros.

Esta é a conclusão do relatório sobre a estabilidade do sistema financeiro divulgado esta semana pelo Banco de Portugal. O montante do endividamento de 2007 representa 91 (!) por cento da riqueza produzida pelo país no último ano.

No mesmo, o banco central manifestou preocupação por a taxa de endividamento dos portugueses ter subido de 124 para 129 por cento do rendimento disponível apenas num ano. E alerta para o perigo de um número elevado de famílias não cumprir as obrigações financeiras porque “o accionamento de hipotecas teria graves consequências do ponto de vista social, dada a importância da habitação como bem de primeira necessidade e o deficiente funcionamento do mercado de arrendamento”. Assim se mede o quanto se vive acima do que se pode e do que se produz em Portugal.

Quanto à taxa de poupança dos portugueses, desceu em 2007 pelo sexto ano consecutivo. No ano passado, a poupança foi 7,9 por cento do rendimento disponível. O sobreendividamento e a pobreza são as duas faces do atraso económico e social.

A este cenário já de si pouco recomendável regista-se agora uma brutal alta de preços nos combustíveis, com todas as consequências demolidoras que isso tem em toda a economia, desde a desactivação de pequenas empresas, ao sequente desemprego até aos aumentos nos preços da alimentação. Situação que, como facilmente se percebe produz mais pobreza.

Ou percebemos todos, Estado e cidadãos, que só se pode começar a dar a volta ao assunto com mais responsabilidade social de todos ou nada feito.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)
 

O ESTADO DA SITUAÇÃO ---->
Por uma vez percebe-se melhor o estado do país se olharmos para a situação do que se olharmos para a oposição. Não se encontra um socialista na rua que tenha a coragem de defender o Governo. Sem jornalistas ou outros socialistas por perto os votantes de Sócrates não escondem o desalento, a desilusão e estão tão aflitos com a situação económica e social do país (e a sua…) como qualquer português que não tenha votado nas promessas de Sócrates.



Politicamente, vive-se um clima de euforia partidária nas esquerdas. O PCP e o Bloco esperam ultrapassar, somados, os vinte por cento nas próximas eleições legislativas, o que seria um feito partidário mas um desastre para o país. Ter o PCP e o Bloco de Esquerda como faróis da oposição a Sócrates é um verdadeiro susto. Manuel Alegre apresta-se para tentar liderar uma espécie de frente popular anti-Governo, num comício de arrependidos do PCP, do Bloco e de outras franjas de esquerda, que causará manifesto dano no PS, que esta semana se lembrou que tem uma esquerda interna bicéfala, dividida entre Mário Soares e Manuel Alegre, ainda por cima dois candidatos presidenciais de 2006.



À direita, é o deserto. Com o PSD ausente das dificuldades do país, entretido que está a resolver o problema que a eleição de Menezes criou e com o CDS esgotado e sem capacidade de liderar uma causa que seja, Sócrates tem estado descansado por aí. CDS e PSD discutem e consomem-se essencialmente na discussão dos perfis, das pessoas, dos amigos, das alas, das alas furadas, das facções, das tendências, dos grupos, quando o que deviam era encarar o PS de frente.



O problema é se o desnorte à direita se resolve através das dificuldades do país. Isto é, o problema é se as contas do ciclo político saíram furadas ao PS. A ideia era apertar na primeira metade do mandato e aliviar na segunda parte do mandato para renovar a maioria absoluta em 2009. A crise internacional, designadamente o aumento brutal do preço dos combustíveis, a que o Governo não pode continuar insensível durante muito tempo, e que põem a nu a fragilidade da situação económico-financeira do país apesar da redução do défice, pode fazer mais pelo PSD que os quatro candidatos a líder juntos. O Governo, ao contrário do previsto não vai poder distribuir tanto quanto pensava. E o problema é que nenhum dos candidatos a líder do PSD é especialmente entusiasmante ou parece saber o que quer.

(publicado na edição de hoje do Semanário)
 
 
 
 
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