Últimos tópicos:
sentir
|
Em alguns países, ainda hoje, impera a "Lei Marcial".
Esta, permite ao governo que em "nome do povo" cometa-se qualquer ato em sua "defesa". Assassinam pessoas nas ruas, prendem donas de casa, pais de família, crianças que brincam em quintais domésticos.
Exterminam toda uma geração por ofensa ao "Estado".
As ditaduras, que imperaram no início do século XX e em todos os séculos anteriores à este, davam poderes ilimitados ao detentor do poder. Era "Deus" encarnado e sua palavra jamais era sequer questionada.
Armas, sequestros, castigos, tortura e todo o tipo de selvageria eram cometidos em seu nome para que a "ordem" fosse mantida.
Como somos seres que reencarnamos, alguns destes tipos de ação ainda reaparecem em atos truculentos que as vezes cometemos.
Jogamos pedras em telhados de vidro, porque são os do outro, mas esquecemo-nos que temos telhado, e que também é de vidro...
Hoje batemos, gritamos, impomos nossa prepotência como se o mundo não desse voltas.
O ditador de ontem é hoje um jazigo esquecido em algum cemitério de periferia.
O mandatário de hoje, aquele que determina e decide destinos dele e de outro(s), que tem armas, força e inteligência não imagina o que é perdão.
Puna o culpado.
Algeme o deliquente.
Coloque-o no paredão.
Execute-o.
Em Cuba, quem falou assim por dezenas de anos, acabou sendo, por fim, o executado.
Em países do terceiro mundo, caem e renascem novas ou antigas ditaduras como nascem o sol ou a lua.
Para matar ou morrer basta terminar um dia e iniciar outro.
Para perdoar também.
Temos em nossas mãos o livre-arbítrio de matar, morrer ou perdoar.
Nosso juiz é a nossa própria consciência.
Quem acha que a tudo pode a tudo responderá num futuro.
Responderá a si mesmo em algum dado momento.
Que seu "julgamento" seja justo.
Que você mereça a chance e o perdão que agora nega a quem não quis te magoar.
De nada adianta ler tanto, frequentar tantas reuniões, ouvir tantas palestras se tudo isto não serve para se colocar em prática o que a oração universal diz:
"Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoemos a quem nos tenha ofendido..."
Que assim seja. Veja os últimos 5 tópicos:
Pseudônimo : Neco
( Na Gravação Da Tarde Do Dia Da Posse Dos Deputados Federais, O Mestre De Cerimônia No Plenário Da Câmara Federal Em Brasília, Apresenta Os Deputados Federais, Entre Eles Mauro Villas Conceição )
Senhoras e Senhores, é com grande satisfação que convidamos para subir á tribuna para seu discurso de posse, na cadeira de Deputado Federal, sua excelência Sr. Mauro Villas Conceição. Destacamos que este foi eleito com mais de cem mil votos, com o fato relevante de que 100% dos votos foram obtidos na mesma cidade. Solicitamos que seja registrado nos anais da câmara. Senhoras e Senhores com a palavra, o excelentíssimo Deputado.
(Apresenta-Se Um Cenário De Telejornal)
No Estúdio Do Jornal Da Noite Entra Em Cena, A Jornalista Âncora, Entrevistando Ao Vivo O Deputado,
( CINIRA) Senhores telespectadores, vocês puderam assistir um trecho da gravação de posse do deputado Mauro Villas Conceição que está presente em nossos estúdios e vai nos conceder uma entrevista ao vivo.
(CINIRA) Boa noite excelência. Como se sente sabendo que na década passada, o senhor foi um dos criminosos mais procurados pela polícia, e hoje assume um importante cargo na política brasileira?
( DEPUTADO ) Em primeiro lugar, quero agradecer a oportunidade de falar aos meus eleitores de Santa Luzia, que unanimemente votaram em mim, dando-me este voto de confiança. Respondendo a sua pergunta, gostaria de lembrá-la que vivemos numa democracia, e foi possível cumprir a minha pena junto a sociedade.
( CINIRA ) Mas excelência, a sua pena iria até o ano de 2010.
( DEPUTADO) O código penal permite a cada dois dias trabalhados abater um dia na pena á cumprir, portanto estou apto para servir minha pátria.
( CINIRA ) Obrigado deputado, por sua entrevista. Encaminhamos nosso repórter Cássio Leme, para conhecer a cidade de Santa Luzia, que é hoje uma referência nacional na recuperação de criminosos. Ao vivo, direto de Santa Luzia. Boa noite Cássio.
Cássio Está Nas Ruas Cidade De Santa Luzia, Gravando Ao Vivo Para O Telejornal
( CÁSSIO) Boa noite Cinira. Realmente o que podemos afirmar é que a cidade a menos de vinte anos tinha uma população de 3.000 habitantes, com a implantação do centro avançado de recuperação dos condenados, hoje essa população atinge a marca de 150.000. O mais curioso, Cinira, é que todos são presos encaminhados para recuperação e que mesmo vivendo em liberdade condicional, nunca fugiram da cidade. É importante ressaltar que o governo vem incentivando as indústrias a se estabelecerem aqui, a fim de oferecer trabalho para essa população. O sucesso é tanto, que o município já tem uma das melhores condições de vida do interior paulista.
( CINIRA ) Cássio?
( CASSIO ) Pois não Cinira.
( CINIRA ) E os familiares dos presos?
(CASSIO) É outra revolução aqui Cinira. Á medida que o preso consegue o regime de semi-liberdade, recebe uma casa onde vai trabalhar e pagar aluguel até poder comprá-la, e com isso pode manter sua família que passa a se integrar à sociedade local, contribuindo para o aumento da população.
( CINIRA) Cássio, e o índice de violência na região?
(CASSIO) É outro fator que chama atenção, Cinira. Não houve nenhum registro no último ano, aqui na cidade os inquéritos policiais chegam a zero.
( CINIRA) Isso é muito bom, obrigado Cássio.
( CASSIO) Até a próxima Cinira.
( CINIRA) Entretanto, destacamos, que o trabalho que está sendo realizado em Santa Luzia, é no mínimo muito estranho. Um projeto implantado numa cidadezinha de interior conseguiu o que países de primeiro mundo vêm tentando há séculos? Iremos investigar e logo estaremos trazendo maiores informações. Cinira Albuquerque, diretamente dos estúdios do Jornal da Noite.
No Estúdio Fora Do Ar, Em Outra Sala Encontra-Se Leni, A Secretária
( LENI) Cinira, o chefe não gostou de sua observação levada ao ar. E ele quer falar com você.
( CINIRA) Por favor, diga que depois eu vou.
( LENI) Ele falou agora.
( CINIRA) Está bem Leni já vou.
( CINIRA ) Oi chefe, a Leni disse que você quer falar comigo?
Cinira Confiante, Entra Na Sala Do Chefe Sem Bater Na Porta.
( CHEFE) Não bate mais na porta Cinira?
( CINIRA) Ela estava aberta chefe e não quis perturbá-lo.
( CHEFE) Sente-se.
( CINIRA) O que foi chefe?
( CHEFE) Que foi? Outra vez se metendo onde não é chamada, não é Cinira.
( CHEFE) O projeto do governo é um sucesso, e precisamos apóia-lo!
( CINIRA) Ah! Chefe você vai me desculpar, mas tem algo errado, ninguém consegue em pouco tempo transformar bandidos, estupradores, ladrões de banco, viciados, e até prostitutas em cidadãos honestos, chegando ao ponto de assumir um cargo de deputado federal?. Chefe abra os olhos. Eu gostaria que me liberasse para fazer uma reportagem investigativa no local.
( CHEFE) De jeito nenhum, você é apresentadora, e uma das melhores. Cinira, tenho planos para você assumir o Jornal Nacional, é uma questão de tempo.Preciso de você aqui, esqueça disso e vamos trabalhar.
( CINIRA) Chefe não se esqueça que a semana que vem estarei de férias.
Cinira Levanta-Se Da Cadeira, E Olha Para O Chefe Ironicamente.
( CINIRA) Estou pensando em descansar numa cidadezinha do interior. Posso ir agora chefe?
( CHEFE) Você vai arrumar confusão Cinira.
( CINIRA) Posso ir?
( CHEFE) É claro Cinira. Feche a porta ao sair.
( Cinira Sai E Sem Se Importar Deixa A Porta Aberta)
(CHEFE) ( AOS GRITOS) Cinira feche a porta .
( Balançando A Cabeça Negativamente Diz
( CHEFE) ! Essa moça não tem jeito mesmo.
Cinira Passa Novamente Pela Sala De Leni
( CINIRA) Por favor, Leni chame o motorista, e peça para ir até a minha sala.
Cinira Está Na Sua Sala, Pensativa, Intrigada Com O Projeto Do Governo, E Já Está Maquinando Seus Planos, Quando Cleber Entra)
( CLEBER) Você mandou me chamar Cinira?
( CINIRA) Sim Cleber, eu sei que você conhece todos os caminhos que levam ao interior do estado.
( CLEBER) Sim conheço, porquê?
( CINIRA) A semana que vem estarei de férias e gostaria que solicitasse a sua também.
( CLEBER) Mas, porquê?
( CINIRA) Vamos fazer um trabalho de reportagem investigativa por conta própria.
( CLEBER) Se o seu chefe descobrir, você está na rua Cinira.
( CINIRA) Deixe isso comigo. Cleber.
( CLEBER) Eu tenho férias vencidas. Como praticamente trabalho somente para você, acredito que meu chefe não se oponha.
(CINIRA) Então vá Cleber, e me dê a resposta até sábado. Ah! Sim, estava me esquecendo Cleber, desta vez vamos viajar juntos, mas nada de querer passar as mãos em mim ou parar o carro na estrada tentando me seduzir. Estou de férias, mas estaremos a trabalho ouviu?
( CLEBER) Cinira, você ainda vai morrer solteirona. Mas, como estou no seu caminho levando você pra lá e pra cá, pode ser que você consiga encontrar o que quer.
(CINIRA) Deixa de bobagem Cleber. Estou indo para meu apartamento. Tchau.
Cinira Sai Do Estúdio E Vai Para Sua Casa.
É Abordada Por Senhor Paulo Na Portaria Do Seu Prédio
( PAULO) Dona, Cinira, gostei muito da reportagem de hoje. Interessante aquela cidade. O nosso governo podia imitá-los e resolver o problema da criminalidade.
( CINIRA) Ah! mas se este trabalho do governo der certo, com certeza será implantado em todo país.
( CINIRA) Sr. Paulo, por favor, abra o portão preciso entrar.
( PAULO) D. Cinira, é que eu tenho que lhe entregar um telegrama. Chegou agora á pouco, por isso estou segurando a senhora aqui fora.
( CINIRA) SR. Paulo, não há necessidade disso! Era só tê-lo colocado por baixo da porta.
( PAULO) Tá bem, mas já que está aqui dona Cinira assine, por favor.
Cinira Assina Entra No Prédio Abrindo O Telegrama.
Ao Chegar Em Seu Apartamento Liga Para Cleber,
( CINIRA) Alô, alô. Cleber? Responda.
(CINIRA )Cleber O que está fazendo.
( CINIRA) Tá bom, Cleber não precisa entrar em detalhes. Olha, recebi um telegrama estranho e talvez precise de você antes do tempo.
( CINIRA) Como? Repita Cleber! Você também recebeu um telegrama. Venha pra cá urgente, estou te aguardando.
Cleber Chega No Apartamento De Cinira,
( CINIRA) Nossa ! Como você veio rápido!
( CLEBER) Não Cinira. Você que se esquece do tempo quando está no banho. Trouxe o telegrama. Ele pede para que eu insista com você para deixar de lado a notícia de hoje.
( CINIRA) Que esquisito Cleber. O que eu recebi, dizia que precisa de ajuda e pede que eu não desista de investigar.
(CLEBER) Cinira, acho que você está mexendo com gente grande.
( CINIRA) É. Confesso que estou apreensiva, mas não vou desistir. Prepare-se. Na segunda-feira bem cedinho pegaremos a estrada.
No Dia Seguinte Pela Manhã No Estúdio
( CLEBER) - Bom dia Cinira, que dia lindo! Porque você não esquece essa história de investigação, e curte suas férias. Podemos pegar a estrada sem rumo e voltar daqui a um mês.
( CINIRA) Cleber por favor, fique quieto. Tenho que aproveitar a viagem e estudar esses relatórios que copiei da internet, tem informações desencontradas. As datas não batem, os números de prisioneiros que foram enviados para aquela cidade ultrapassam a 250.000. Eu tenho a impressão que o estado vem de alguma forma fazendo com que os detentos de todo país façam um estágio naquela cidade.
Cinira Entrega Os Relatórios Para Cleber Que Os Analisa Rapidamente
(CLEBER) Tudo isso você tirou da internet Cinira?
(CINIRA) Sim. Resolvi bisbilhotar também no site da polícia federal, da justiça e principalmente dos direitos humanos, que tem uma literatura farta sobre os casos dos detentos que são beneficiados por boas condutas.
( CLEBER) Ah! Cinira, esqueci de falar que reservei dois quartos no hotel no centro da cidade de Santa Luzia.
( CINIRA) - Obrigado Cleber não tive cabeça para isso.
Na Estrada, Cinira Está Com Um Mapa Nas Mãos.
(CINIRA) Cleber estamos chegando. Por favor, dirija devagar. Olha que beleza de cidade! Tudo limpinho, em ordem.
( CLEBER) Cinira, veja só, não tem pichação nas paredes. Ruas bem arborizadas todas frutíferas, bem sinalizadas, muros baixos, casas bonitas!
( CINIRA) É! Tudo aqui é muito perfeito. Não é à toa que a população aumentou. Vamos Cleber o hotel é aquele ali. Pare em frente. Estou exausta precisando de um bom banho.
Na Cidade De Santa Luzia, Na Sala Da Prefeitura,
Estão Reunidos O Delegado E O Prefeito
( DELEGADO) Senhor prefeito, recebi a informação que eles chegaram. Temos ordens de acompanhar todos os passos deles.
( PREFEITO) Delegado, por favor, chame o Dr. Cirillo, precisamos montar uma estratégia, pois se ela descobrir alguma coisa estaremos comprometidos.
Momentos Depois
Dr. Cirillo Entra Na Sala Da Prefeitura
( DELEGADO) Dr. Cirillo, gostaria que á recepcionasse. Vamos convidá-la para um jantar esta noite e você será o mestre de cerimônias.
( DR. CIRILLO) Tudo pela causa delegado.
Mas lembre-se de uma coisa, sou um homem casado e não quero encrenca.
Horas Depois Na Recepção Do Hotel,
Cleber Recebe O Convite Para O Jantar E Vai Entregar Á Cinira
( CLEBER) Cinira, você recebeu um convite para jantar com o prefeito e convidados hoje à noite no grande hotel, querem te homenagear.
(CINIRA) Tudo bem, Cleber. Confirme que estarei lá, afinal de contas preciso de informações e, com certeza, eles tem de sobra.
A Noite Estavam Prontos Para O Jantar, Quando Cirillo Chega No Hotel
( CIRILLO) Boa noite Senhorita, meu nome de Cirillo, sou o médico da cidade, vim buscá-la.
( CINIRA) Não precisava eu tenho motorista.
( CIRILLO) Tudo bem, deixo o meu carro aqui e ele nos leva.
( CINIRA) Está bem. Cleber guarde o carro do Dr. Cirillo. Vamos.
Cinira Dá O Braço Ao Médico
E Seguem Para O Restaurante,
O Delegado E O Prefeito Já Os Aguardam
Cinira Aproxima-Se Da Mesa E Dirigi-Se Ao Prefeito
(CINIRA) Senhor prefeito.
( PREFEITO) Cinira. Obrigado por ter aceito meu convite. Já conhece o Dr.Cirillo?
( CINIRA) Sim, uma simpatia.
( PREFEITO) Apresento o delegado Dr.Luiz, homem importante nesta comunidade.
(CINIRA) Vejo que o senhor está bem acompanhado. Homens influentes e educados. E pelo pouco que vi da cidade, faz jus a tanta simpatia.
( PREFEITO) Obrigada Cinira.
O Jantar É Servido, Cinira Aproveita Para Tirar Algumas Informações Importantes.
( CINIRA) Sr. Prefeito, como a sua cidade conseguiu alcançar tamanho destaque em recuperação de prisioneiros?
( PREFEITO) Esta é uma luta de anos, mas gostaríamos de recebê-la na prefeitura para apresentar nossos trabalhos, com certeza você ficará muito satisfeita.
( CINIRA) Gostaria de aproveitar o jantar para obter algumas informações.
( PREFEITO) Fique tranqüila Cinira, logo você terá todas as informações. E com certeza o Dr. Cirillo terá muito a comentar, ele cuida dos pacientes e convidados que vem para essa cidade, não é Cirillo?
Cirillo Como Autômato( robô)
( CIRILLO) Sim é verdade, vamos falar sobre este assunto depois. Cinira você dança?
( CINIRA) Sim. Doutor.
( CIRILLO) Então, vamos aproveitar a música.
O Casal Segue Até A Pista De Dança
( DELEGADO) Sr. prefeito tenho informações que essa repórter pode estragar tudo, e que pessoas da mais alta patente, estarão acompanhando essa visita, preocupados com o possível escândalo, principalmente num ano eleitoral.
( PREFEITO) Fique tranqüilo Luis, esta visita dela não é oficial, ela está de férias, e tudo já foi providenciado. Vamos jantar.
Após O Jantar, Todos Despedem-Se
( CIRILLO) Cinira gostaria de levá-la ao seu hotel.
(CINIRA) Ficaria muita grata, Dr. Cirillo, mas o meu motorista está ai fora me esperando.
(CIRILLO) Não, como o jantar iria demorar, pedi que retornasse ao hotel, e providenciasse que trouxessem o meu carro.
( CINIRA) Você pensa em tudo não é Doutor?
( CIRILLO) Então vamos. Boa noite Sr. Prefeito, Sr. Delegado.
( PREFEITO) Boa noite Cinira, até amanhã.
Cirillo Gentilmente Abre A Porta De Seu Carro Para Que Cinira Entre, E Segue Por Outro Caminho
(CINIRA) Porque veio para essa direção Doutor.
( CIRILLO) Quero mostrar-lhe a cidade.
(CINIRA) Mas já é muito tarde. Preciso dormir. Tenho um passeio pela manhã.
( CINIRA) Doutor, dirija mais devagar. Olhe a curva. Breque. Vamos, breque.
Ouve-Se Uma Forte Freada, E Um Grande Barulho Da Batida.
Cinira Esta Sobre Uma Cama De Hospital, Enfaixada.
(CINIRA) Onde estou? Porque estou enfaixada, enfermeira onde estou?
(ENFERMEIRA) No hospital. A senhora sofreu um acidente e terá que passar por uma cirurgia. Mas fique tranqüila, Dr. Cirillo é cirurgião, é o melhor médico da cidade.
(Mexendo-Se Na Cama, Movimentando Seus Membros Observou Que Estava Em Ótimo Estado)
( CINIRA) Mas estou bem, não preciso ser operada, somente uma forte dor de cabeça, mas sei que não é nada sério.
( ENFERMEIRA) Descanse dona Cinira, logo pela manhã Dr. Cirillo virá vê-la.
( A Enfermeira Sai Do Quarto. Cinira Aproveita Para Conhecer O Hospital, Já Que Este Era Um Dos Pontos Que Necessitava Pesquisar Procura Algo Para O Disfarce, E Encontra Um Uniforme De Enfermeira
( CINIRA) Preciso sair daqui, estou me sentindo bem. Vou aproveitar a saída dela. Não estou entendendo? Os corredores e os leitos estão vazios, não tem ninguém! Preciso investigar.
Cinira Anda Pelos Corredores Do Hospital, Passa Por Algumas Pessoas E Cumprimenta, Continua Andando Falando Sozinha
( CINIRA) Boa noite. Meu disfarce é muito bom, passam por mim e não desconfiam, mas preciso continuar em silêncio, vou até a UTI saber o que está acontecendo. Hum! O Dr. Cirillo levando um paciente para sala de cirurgia. O que ele está fazendo? Preciso escutar.
De Costas Disfarçada, Ouve A Conversa Do Médico E Do Assistente.
( ASSISTENTE) Dr. Cirillo, está aqui o chip, para ser implantado no prisioneiro.
( CIRILLO) Vamos logo. Pela manhã vou precisar de um especial para ser implantado naquela repórter, nunca mas irá bisbilhotar nada.
(CINIRA) Será que estou ouvindo bem? Ele disse que vai implantar um chip em mim? Para quê? O que está acontecendo neste hospital? Preciso ir até os arquivos para descobrir.
Cinira Vai Até Os Arquivos
( CINIRA) Boa noite enfermeira, preciso verificar os arquivos e o prontuário do prisioneiro que está sendo operado, houve uma complicação médica.
( ENFERMEIRA) Pois não, pode entrar, fique á vontade.
Cinira Abre O Arquivo E Verifica Papéis E Documentos Comprometedores, Acessa O Computador
( CINIRA) Meu Deus? O que é isso? Quantas informações? Então é isso? Um projeto do governo, com apoio de outros países mais desenvolvidos, usando nossos prisioneiros como cobaias, implantado chip, controlando suas mentes, impedindo-os que tomem qualquer decisão, ficando sobre o controle do estado, passando a serem observados e acompanhados pelo resto de suas vidas. Então é assim que conseguiram controlar esses criminosos. Esse projeto é muito ousado, o governo passará a ter muita força e domínio, para ser utilizado á seu favor em qualquer ocasião e conveniências. As eleições, distúrbios, intervenções, aquisição de bens de consumo, alimentação, podendo desenvolver produtos sem muitas pesquisas, pois eles consumirão o que o governo ordenar. Isto é muito grave! Preciso sair daqui e revelar ao mundo o que está acontecendo.
Cinira Sai Do Hospital E Chega No Hotel
( CINIRA) Cleber vamos embora. Precisa ser já, vamos.
Cleber Se Mostra Ansioso
( CLEBER) Cinira você está bem? Fiquei sabendo do acidente e que seria operada pela manhã?
( CINIRA) Cleber vamos. Eu conto tudo na estrada, precisamos sair daqui, antes que descubram que eu fugi do hospital.
( CLEBER) O carro não está muito bom, seria prudente uma revisão antes de viajarmos.
( CINIRA) Não há tempo, não enrola, vamos.
( CLEBER) Está bem, tome antes este suco que preparei para você, o que está acontecendo, Cinira?
Cinira Toma O Suco E Saem Do Hotel.
No Caminho Cinira Expõe O Assunto Para Cleber
( CINIRA) Cleber, eles estão implantando um chip nos prisioneiros e passam a controlar a suas vidas, isso é muito grave, pois todos estão envolvidos, o governo, a polícia, as autoridades, empresários, partidos políticos, logo, não saberemos quem está sendo controlado por eles, se tudo continuar como está, poderão utilizar essa tecnologia em qualquer pessoa. Cleber onde você está indo?
(CLEBER) Aqui é o estacionamento do hospital, Cinira você bateu a cabeça e está delirando. Precisa de um exame. Veja, o Dr. Cirillo está vindo. Ele tomará conta de você.
( CINIRA) O que está acontecendo Cleber, você está com eles? Você tem que acreditar em mim, Eles vão implantar chip em minha cabeça, por favor, me ajude.
( CLEBER) Fique tranqüila tudo vai sair bem.
( CINIRA) Por favor, Cleber me ajude vamos fugir.
( CLEBER) Não, eu já conheço o Dr. Cirillo há muito tempo. Sei que ele é muito competente, me operou. Eu consegui me recuperar, ele até me arrumou um emprego no jornal, eu sou muito grato a ele, você também será, Cinira.
Neste Momento Cinira Desesperada Abre A Porta Do Carro E Tenta Fugir, Mas É Barrada Pelos Seguranças Que A Levam Para Dentro Do Hospital.
( CINIRA) Estou muito fraca para reagir, parece que estou dopada. O que você colocou naquele suco Cleber.
( CLEBER)Somente um calmante, você estava precisando.
Dias Depois No Estúdio
( CINIRA) Oi Leni. O chefe está aí?
( LENI) Sim pode entrar, ele está esperando.
( CINIRA) Oi chefe! Sentiu a minha falta?
( CHEFE) Claro que sim Cinira, como foi de férias?
( CINIRA) Muito bem chefe, somente um acidente. Nada sério, tive que ficar num hospital para fazer uma micro cirurgia, para retirada de um estilhaço de vidro na minha cabeça, numa pequena cidade, mas tudo correu muito bem, estou pronta para mais um ano de trabalho.
(CHEFE) Que bom Cinira. Tenho novidades. Você assumirá o Jornal Nacional.
( CINIRA) Obrigado chefe, estou pronta, Ah! Sim, chefe, esqueci de comentar que aproveitei as férias para me casar.
(CHEFE) Casar? Com quem Cinira.
( CINIRA) Com o Cleber, meu motorista. Sabe chefe, assim que sai do hospital fui envolvida por uma louca paixão. Não consegui resistir, me declarei, e casamos na mesma cidade, o prefeito, o delegado, e o Dr Cirillo, que me operou, após o acidente, foram nossos padrinhos.
O Chefe Olha Para Todos Aliviado E Lhe Dá Os Parabéns
( CHEFE) Parabéns Cinira. Parabéns. Vamos Trabalhar! |
[Este texto faz parte do livro Os Segredos Das Mulheres De Jesus Cristo que será enviado de graça para quem se cadastrar pelo "fale com o autor"]
Livro 1
Os Segredos Das Mulheres De Jesus Cristo – Adelmario Sampaio
ESTATURA
O menino se levantou num gesto preciso e
calmo, e aos meus olhos pareceu um gigante...
*
Não há maior ventura que encontrar no despertar da vida o brilho de um amigo quando nossos olhos são abertos para ver que a sua estatura ofusca a luz das estrelas e do sol...
Esse conterrâneo de quem hoje falam tanto foi meu amigo de infância. Passados tantos anos dizem muitas coisas a seu respeito. Muitas histórias são inventadas, porque aqueles que ficam famosos como ele, são-lhes atribuídas muitas façanhas maiores do que aquelas que são capazes de realizar. Se bem que eu não deva dizer o mesmo sobre a capacidade desse ilustre Nazareno, porque ele podia (e pode) realizar muito mais do que as cabeças dos homens possam inventar a seu respeito. Porque embora falem muito dos seus milagres, ele mesmo é o maior deles.
Lembro-me com satisfação de todos os momentos em que passei ao lado desse que tomo a liberdade de chamar de amigo, e meu coração parece voar ao tempo em que estivemos nos lugares onde todos nós, (os meninos daquela época), brincávamos.
Ele sempre se mostrou diferente dos outros, mesmo ainda quando criança. Suas brincadeiras eram envoltas em um halo de misteriosa seriedade, como se estivesse trabalhando e não fazendo outra coisa. Trazia consigo uma generosidade acima do que possa ser descrita, e repartia conosco o seu pão compenetrado como quem estivesse fazendo mais que isso que fazia. Falava com todos nós, os meninos com quem brincava, como quem dissesse algo misterioso (que só hoje posso perceber que tinha mais que o sentido exposto), e eu sem contestar fui entendendo aos poucos o que sempre esteve além da compreensão dos ouvintes. E como um dos milagres recebido dos que envolvem sua pessoa, eu posso me lembrar do espírito das suas palavras, como se elas fossem marcadas a fogo em minha mente.
O milagre que hoje contam de que ele conseguiu multiplicar pães para alimentar uma multidão, não foi um feito inédito, porque já o havia praticado diante dos nossos olhos, quando nem entendíamos o que estava acontecendo então... Lembro-me que tive uma dessas briguinhas infantis com um outro menino por causa da partilha de uns frutos que encontramos ao redor da cidade, e o Nazareno fez aparecer outros como que num passe de mágica, para que a questão terminasse em paz, como de fato terminou.
Mas um dos fatos mais curiosos que presenciei foi uma vez quando brincávamos com o barro ao lado do açude norte, que nesse tempo era o principal e o que mais fornecia água à cidade. Era sábado, e por isso mesmo os outros meninos que na maioria eram filhos de hebreus, não apareceram. Estávamos somente nós dois, e fazíamos os objetos numa das nossas brincadeiras preferidas. Não me lembro mais que objetos eu fazia porque certas lembranças a nosso próprio respeito por vezes se perdem numa bruma do tempo. Mas não posso me esquecer os que ele, o meu amigo, preparava com maestria: Eram umas pombas perfeitas em forma e tamanho naturais que ia fazendo e entregando uma a mim e ficando com outra numa partilha que só hoje penso entender. Quando já tinha feito umas dez ou doze, vi de longe que meu pai caminhava apressado em nossa direção. Então a minha reação foi me esconder com receio do castigo, e o fiz atrás de uns arbustos que havia perto. Mas o meu amigo continuou onde estava, muito tranqüilo e também seguro de si como sempre demonstrou ser. Meu pai chegava cada vez mais perto, quando eu me lembrei de dizer ao meu amigo que cuidasse das minhas pombas. Ele balançou a cabeça dando a entender que estava cuidando. Quando meu pai chegou, perguntou por mim sem mesmo cumprimentá-lo. Da distância que estava ouvi a resposta daquele que hoje chamam Mestre, e que mesmo naquele tempo falava como tal, principalmente quando conversava com os adultos que o confrontavam. E como a vida toda respondeu às perguntas demonstrando uma amadurecida sabedoria, disse sem mentir, mas também sem revelar que eu estava escondido por perto:
- Por acaso sou eu responsável pelos cuidados do teu filho?
- Eu quem sou responsável por ele e é por isso mesmo que não quero que brinque no sábado, e nem saia dos arredores de casa, como manda a lei, ó menino abusado!... – disse meu pai com a altivez de sacerdote que era, como se discutisse com um adulto. Continuou: - E você, filho do carpinteiro, seu pai por certo não sabe que está aqui transgredindo o sábado do Senhor...
- Meu pai é dono do sábado – disse o menino com autoridade.
- Seu pai é dono do quê!?...
- Meu pai também trabalha no sábado...
- Olha, filho do carpinteiro, eu conheço muito bem teu pai, e vou dizer a ele que você o está acusando de transgredir a lei!...
- Foi meu pai quem fez a lei!...
Meu pai olhou enfurecido para o menino, e num gesto de ira, tentou com o pé destruir as pombas de barro. Mas elas mudavam de lugar quando ele tentava fazê-lo. Então intrigado, quis agarrar uma com as suas mãos, mas a ave voou e pousou perto de mim. E o homem ficou mais enfurecido ainda, e usando o seu cajado, tentou destruir as outras, mas elas não permitiram ser tocadas, e voaram também.
- Que truque é esse, Bar-José? – Disse o homem com um misto de raiva e espanto. - Essas pombas não eram de barro?... Vi claramente que eram de barro e ainda vejo a prova na imundície de suas mãos. Isso atenta ao fato de que foi você quem as fez.
O menino se levantou num gesto preciso e calmo, e aos meus olhos pareceu por um pouco, um gigante muito maior que meu pai. Depois com a autoridade que sempre demonstrou quando falava, disse no tom mais desafiador e seguro que já vi:
- Olha homem, você não sabe a diferença do que tem vida e do que é morto... A lei no teu coração é como barro sem vida, mas no meu é como o espírito vivo. Você conhece de barro tão pouco quanto a respeito de si mesmo. Eu dele faço a vida com as mãos, embora pareça que brinque. Estou fazendo o que vive, porque fiz isso muito antes de você conhecer o próprio nome. Afinal que diferença há em fazer um homem ou uma pomba?... E que diferença há em dar vida a um e outra?
Meu pai já parecia não ouvir, e cada vez mais enfurecido deu uma risada irônica, e saiu para o lado da cidade resmungando consigo mesmo:
“Vejam que menino maluco!... Quantos anos têm esse menino pra inventar essas coisas?... Que estranho, esse filho de José!... Que estranho um menino com essas brincadeiras!...”
Fiquei escondido até que meu pai desaparecesse. Eu sabia que ele não voltaria porque a lei não permitia que andasse tanto num sábado. Enquanto isso, uma das pombas veio e pousou em meu ombro. Olhei o meu amigo e ele estava acenando a mim com um sorriso nos lábios. Foi essa uma das poucas vezes que o vi sorrir, embora tivesse um coração muito alegre. Aliás, tão alegre quanto triste.
Sinto algo estranho por dentro de mim sempre que vejo ou mesmo me lembro de uma pomba... |
Pela ótima contribuição, deixamos nossos agradecimentos ao amigo Bonassa,
E como costuma dizer o meu parceiro Laviro é uma historinha muito massa...
Falando no Laviro, ele leu essa historinha e tomou a liberdade de reescrevê-la. Vamos, então, passar à palavra para ele. A bola está contigo Laviro!
Bom dia, nobres leitores e leitoras do Usinas! Desejando-lhes votos de muita saúde e sucesso, vamos contar para você a história daquela estudante que se apaixonou por um colega de classe, no antigo curso ginasial. Tamanha foi a sua paixão que ela nunca teve a coragem de dizer isso a ele, com medo de sofrer uma decepção. Os anos passaram e ela nunca mais soube notícias daquele rapaz. Porém, todo esse tempo não fez acabar o grande amor que sentia por ele e a maior prova disso é que ela nunca se casou.
Ficou morando com seus pais e, depois da morte de sua mãe (o pai tinha falecido antes), foi morar no litoral do Estado. Certo dia ela precisou ir ao dentista e marcou uma consulta numa clínica. Gostaríamos de continuar a história, mas vamos ouvir dessa própria mulher apaixonada o que aconteceu...
"Eu estava sentada na sala de espera da clínica para consultar, quando observei que o diploma do dentista que iria me atender estava dependurado na parede. Li o seu nome e quase tive um desmaio. Era o nome do rapaz por quem havia me apaixonado no colégio (e que, por incrível que pareça, ainda o amava). Recordei daquele moreno alto, cabelos encaracolados, corpo atlético... Seria ele o meu dentista? Com o coração quase saindo pela boca, mil pensamentos vieram à minha cabeça. Estaria casado? Será que me reconheceria? Teria encontrado novamente o meu grande amor da minha vida? Parecia estar vivendo um sonho... Estava assim, nessa ansiedade, quando a secretária “acordou-me” ao tocar no meu ombro, dizendo que estava na hora de ser atendida. Levantei-me e, se ela não me ampara, teria caído, pois minhas pernas estavam trêmulas e sem forças para suportar o meu corpo. Sentei-me novamente e, após tomar um copo d´água, consegui forças para levantar-me e entrei na sala do consultório do meu grande amor (ops, quero dizer do meu dentista).
Entrei e afastei o pensamento de que aquele homem seria o meu grande amor. Do outro lado da mesa estava um senhor de cabelos grisalhos, quase calvo, profundamente enrugado e demasiadamente velho para ser aquele jovem de outrora.
Depois que ele examinou o meu dente, perguntei-lhe - não sei por qual razão (talvez para comprovar que não era ele mesmo) – se, porventura, ele havia estudado no Centro Educacional Vidal Ramos em Lages.
- Sim – respondeu-me ele, para minha grande surpresa.
- Quando se formou? – voltei a perguntar ainda mais curiosa (naquele tempo havia formatura até do curso ginasial, rs).
- 1965 – respondeu e indagou-me um tanto sério: Por que esta pergunta?
- Bom – gaguejei. É que você era da minha classe – disse com uma forte emoção no peito.
E então aquele velho horrível, gordo, careca, cretino, filho de uma puta, me perguntou:
- A SENHORA ERA PROFESSORA DE QUE?" |
Eram sete horas da manhã do dia 6 de setembro de 1982, quando saí para Alvorada do Iguaçu com a missão de entrevistar para o semanário Nosso Tempo os últimos moradores daquela vila que havia surgido em 1960 para ser uma cidade planejada e estava com seus dias contados. Em breve ela seria coberta de água.
Faltava pouco mais de um mês para o fechamento das comportas do canal de desvio e a região estava deserta. Raramente aparecia alguém ao longo da estrada. A quiçaça tomava conta dos campos antes tomados por lavouras, e das casas e galpões que eram vistos ao longo do caminho só restaram os cepos. Outros madeirames foram levados para as novas propriedades e dos espaços de chão batido, onde antigamente se erguiam as moradias dos colonos, só ficaram suas histórias. Algumas me foram contadas por Alcides Binotto, um carpinteiro que trabalhava nas demolições. Eu o conheci em Alvorada do Iguaçu, ou melhor, no que restou dela, quando desmanchava o que um dia foi a casa comercial de Belmiro Mariani, uma das poucas construções remanescente no vilarejo. Entre velhas vigas de aroeira e caibros de cedro, seu Alcides recordou os dias de movimento, quando os colonos se juntavam na venda para beber cachaça e contar causos. Recordou as reuniões políticas que eram feitas no salão e contou-me em voz baixa que certa ocasião quando o deputado Alencar Furtado visitava a região foi ao Belmiro conversar com o povo. O boliche ficou cheio. Tinha gente pendurada nas janelas e até do lado de dentro do balcão. Alencar era famoso pelos discursos inflamados, em que ele desancava a ditadura. Um deles serviu de pretexto para a cassação de seu mandato de deputado federal. Foi em 1977, quando no simpósio Luta pela Democracia, ele criticou a falta de liberdade no País e denunciou a violenta repressão aos opositores do regime, as prisões arbitrárias e o desaparecimento de cidadãos. “Defendemos a inviolabilidade dos direitos da pessoa humana para que não haja lares em pranto; filhos órfãos de pais vivos – quem sabe mortos talvez... Órfãos do”talvez” e do “quem sabe”.
Veio a anistia, Alencar Furtado voltou à Câmara Federal em 1983 e só desapareceu do cenário político paranaense após perder para Álvaro Dias a eleição de governador em 1986.
Alencar estava cassado e com os direitos políticos suspensos quando falou, em 1978, para o povo reunido na venda de Alvorada do Iguaçu. Apesar de estar punido pela ditadura, sem poder votar e ser votado, ele peregrinava pelo Estado fazendo campanha para seu filho Heitor, que foi eleito deputado federal com uma votação extraordinária e morreu em outubro de 1980, vítima de um atentado.
Por causa da reunião em seu estabelecimento, Belmiro Mariani foi fichado como subversivo e passou a receber visitas periódicas dos agentes do serviço de informações do Batalhão de Fronteiras. Desde então sua vida desandou, perdeu o ânimo pelas coisas e descorçoado fechou a sua casa comercial em 1980 indo trabalhar como operário numa fábrica em Cascavel.
Naquela época muitos colonos venderam suas propriedades a preço de banana e foram viver em casa alugada e trabalhar como empregados em outras cidades. Alguns caíram vítimas de estelionatários que percorriam a região soltando boatos e dando golpes. Um desses estelionatários foi o advogado Ubiratan Costa, que dizia ser protegido dos militares do 1º Batalhão de Fronteiras, afilhado do bispo de Cascavel, dom Armando Círio, sobrinho do almirante Luiz Oliveira e do general Isaac Nahan. Com tantos parentescos e proteções, mais um arsenal de astúcias e muita lábia, o advogado enganava com facilidade os habitantes da região. Comprava a propriedade por uma ninharia, com o argumento de que vendendo para ele o colono receberia em poucos meses, enquanto negociando direto com Itaipu o recebimento iria demorar de 10 a 20 anos. Para sustentar sua história o estelionatário citava seus “parentes e protetores” poderosos. Aqueles que caíram em sua conversa acabaram indo parar na rua da amargura, sem eira bem beira. |
Jesus nasceu em Belém
Tinha muito seguidores
Alguns chamados profetas
Que causaram dissabores
Aos comandantes romanos
E aos seus governadores
Segundo uma revista
a SuperInteressante
foi descoberto agora
que Judas não era farsante
e que Jesus era dele
seu maior simpatizante.
A vida de Jesus é contada
Por quatro evangelistas
Que criaram uma igreja
E inventaram um golpista
E esta revista agora trás
Para nós alguma pista.
Diz que Jesus acertou
Que Judas faria a delação
Para que se concretizasse
Uma tal de previsão
Escrita não se sabe por quem
Pois não há comprovação
O evangelho de Judas
Que a igreja não reconhece
Quase se perdeu no tempo
Somente agora reaparece
Para contar a verdade
Para toda essa messe
Não tinha porque haver
Aquela tal revelação
Numa cidade pequena
Se conhece qualquer cidadão
Fazendo aqueles milagres
Jesus chamava atenção
Não precisava que ninguém
Fosse informar aos romanos
Jesus vivia na cidade
Não era nenhum cigano
Se sabia tudo que fazia
Nada por baixo dos panos
Todo ano no entanto
Não importa se culpado
O povo não quer saber
E Judas é sempre malhado
E depois do testamento
Ele é logo enforcado
Antes mesmo de se enforcar
Levará muita paulada
Por toda população
Sua pessoa será malhada
Haverá muita gozação
E sua roupa rasgada
Esse novo Evangelho
Vai fazer muita confusão
Com certeza seus autores
Receberão excomunhão
De um desses Papas
Que estiver de plantão
Nunca vi neste mundo
Em qualquer situação
Contra acusado só haver
Uma tese de acusação
Pra ele não teve defesa
Nem qualquer apelação
Sempre no bom Direito
Existe o contraditório
Por ocasião da defesa
O réu abre o repertório
Conta sua a verdade
Nem que seja ilusório
Mas Judas Iscariotis
Foi logo condenado.
Mesmo numa ditadura
Se faz tudo disfarçado
Dão qualquer satisfação
Pro ser povo enganado
A Igreja Católica
Não admite contestação
Não importa o que diga
Está sempre com a razão
Aquele que não obedece
É ameaçado de excomunhão
É uma grande ditadura
Que se aproveita do povão
Que tem medo do inferno
Sem saber se existe o cão
Que vive sempre nas igrejas
De padre ouvindo sermão. |
|
|