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OLHAR PELAS CRIANÇAS
2007-06-01
“A CRIANÇA QUE NÃO QUERIA FALAR”
Torey Hayden (1980)
Editorial Presença (2007)
Lê-se de uma penada, assim de um dia para o outro, que o livro é pouco literário, relata apenas uma vivência, de que não se tinha notícia nos finais dos anos 70 do século passado, nos EUA.
Com uma história verídica, que ainda hoje em dia custa a aceitar...
Uma catraia de 6 anos amarra um puto de 3 a uma árvore e pega-lhe fogo. Saíu em todos os jornais regionais, tipo rodapé, mas nos “manicómios” da zona nâo havia lugar. Onde é que ela vai parar? À aula da Tor, com oito rapazes e raparigas, com alguns atrasos mentais e psicológicos, não sendo o caso dela. Temporariamente!
Os laços que se seguem, são os da professora com a aluna, abandonada pela mãe adolescente que levou consigo o irmão mais novo, a viver com o pai alcoólico e ex-presidiário, numa barraca de um acampamento de imigrantes, sem quaisquer condições, sanitárias ou outras.
“Talvez a maior magia do espírito humano seja a capacidade de rir. De nós, dos outros, de situações por vezes desesperadas em que nos metíamos. O riso normalizava as nossas vidas”, refere a autora.
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“É um segredo muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos”, revela a raposa ao Principezinho, no famoso livro de Saint-Exupéry. Passagem citada neste livro, que agradou imenso à criança.
Frase que também enviei ontem à minha amiga Paula, numa pequena mensagem de parabéns. Mesmo “crescidas” todas temos um bocadinho de criança, não é verdade?
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No Dia Mundial da Criança, devemos pensar nas nossas, mas também em todas as outras deste Mundo. Se crescerem em meios de fome, de guerra, de doença e de violência, se conseguirem sobreviver, provavelmente transformam-se em “carrascos” das muitas outras que ainda não nasceram...
Solidariedade, é preciso!
Teté
Teté
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comentário
Comentários:
- - - 2009-05-20
Concordo inteiramente contigo, Isabel!
O facto de se ser mãe ou pai biológico não faz (só por si) que se seja bom e que se tenha carinho, ternura ou amor pelos filhos. O que não faltam aí são crianças abandonadas, mesmo que vivam com os pais.
Por sinal acho que a autora pode ajudar muitos professores a lidar com algum desses problemas com os seus alunos. Ou, no mínimo, acho útil que ela partilhe essas experiências...
Beijinhos!
Teté
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- - - 2009-05-19
Li com muito carinho o teu artigo, Teté, porque há tantas famílias desagregadas e sem condições para cuidar das crianças. A experiência e vivência desta professora é disso indicadora, aliás, eu coloco uma pergunta. Será que estas crianças sofrem de "atraso" ou serão o espelho do que vêm diariamente? Como pode uma criança crescer equilibradamente sem outras referências que não as dos Pais, alcoólicos, irresponsáveis, vivendo nas margens de qualquer valor?
Mas só o coração sabe de si e numa sociedade em que impera a desigualdade, a injustiça, a violência e o desprezo pelos direitos fundamentais da pessoa humana, não se pode esperar outra coisa.
Numa criança é trágico e profundamente traumatizante qualquer acto violento por ela praticada. Neste caso a Mãe abandonou-a, mas ela já estava abandonada. No entanto, há uma insistência inexplicável em devolver a estas famílias as crianças. A meu ver, é errado.
Gostei muito de ler este artigo, nenhuma sociedade é sã se ainda existirem crianças que vêm ao mundo com um estigma, seja ele qual for.
Beijinhos
Isabel
isabel
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